Arquivo de novembro de 2007

THE POLICE LIVE IN RIO

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

 

The Police Live in Rio

 

Depois de 25 anos desde a última apresentação no Rio, no dia 08 de dezembro, a banda The Police está de volta à cidade. A banda formada por Sting, Stewart Copeland e Andy Summers faz única apresentação no estádio do Maracanã.

No repertório, o público curte clássicos como ´Can´t Stand Losing You`, ´Roxanne`, ´Walking on The Moon`, ´Every Little Thing She Does Is Magic`, ´every Breath You Take`, entre outros.

 

Local: Maracanã

Horário: 20h

Outras Atrações:

Show com a lendária banda The Police em sua formação original!
Show de abertura com
Paralamas do Sucesso.

Preço:
Arquibancada Lateral: R$ 80 (meia-entrada) e R$ 160 (inteira)

Arquibancada Central: R$ 135 (meia-entrada) e R$ 270 (inteira)

Cadeira Azul Lateral: R$ 80 (meia-entrada) e R$ 180 (inteira)

Cadeira Azul Central: R$ 135 (meia-entrada) e R$ 270 (inteira)

Gramado R$ 80 (meia-entrada) e R$ 190 (inteira)

Palco Premium: ESGOTADO

Pontos de venda:

Bilheteria Maracanã


Censura:
18 anos

Observações:
Abertura dos portões: 17h


www.thepolice.com

 

Waly Salomão, Mário de Sá Carneiro e Lúcio Cardoso são homenageados no 2º aniversário do Projeto Terças Poéticas

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O projeto Terças Poéticas celebra na próxima terça-feira, dia 3 de julho, às 18h30, dois anos de existência, apresentando quatro espetáculos poéticos em diferentes pesquisas de linguagem com a poesia. O evento é símbolo das 64 edições do projeto – desde o seu nascimento em 5 de julho de 2005 –, em que participaram 95 poetas vivos e foram homenageados 75 poetas mortos.

Terças Poéticas é uma realização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, através da parceria entre o Suplemento Literário e a Fundação Clóvis Salgado, com apoios culturais da Rádio Inconfidência e da Rede Minas de Televisão. O evento acontece nos jardins internos do Palácio das Artes e a entrada é franca.

Programação

Performance “Sábado da Carne”: poemas de Mário de Sá Carneiro, com Ana Gusmão e Gilberto Mauro

Mário de Sá Carneiro nasceu em Lisboa no dia 19 de maio de 1889. Estréia em 1912 publicando a peça “Amizade”, escrita de parceria com Tomás Cabreira Júnior, e no mesmo ano, lançou “Princípio”, coletânea de novelas. Na mesma época, inicia correspondência com Fernando Pessoa, refletindo seus problemas emocionais e as idéias de morte e suicídio. Em 1914, além de publicar “Dispersão” e “A confissão de Lúcio”, Sá Carneiro intensifica a correspondência com Pessoa. Em 1915, saiu “Céu em fogo”, mais novelas, e participa do grupo modernista em Portugal, no lançamento da revista “Orpheu”, em que é publicado no 2º número o seu poema futurista “Manucure”. Em 1916, em uma carta a Fernando Pessoa, anuncia a intenção de suicídio, o que acontece no dia 26 de abril de 1916, em Paris.

Poema ao Erudito “Mar Alheio”: poema de Lúcio Cardoso, musicado e interpretado por Wallace Armani

Lúcio Cardoso nasceu em 14 de agosto de 1912, em Curvelo, Minas Gerais. Estréia em 1934 com o romance “Maleita”. Pouco depois publica “Salgueiro”, “A luz no subsolo”, “Mãos vazias”, “Histórias da Casa Grande”, “O desconhecido”. Estréia na poesia em 1941 com “Poesias”. Em 1943, lança “Dias perdidos”, um romance autobiográfico.  Em 1944, o segundo livro de poemas “Novas Poesias”. A partir de 1947, inicia um período de intenso trabalho como tradutor. Em 1959, é publicado o romance que representou a consagração definitiva do autor: “Crônica da Casa Assassinada”. Em 1962, Lúcio Cardoso é vitimado por um derrame cerebral, e falece em 24 de setembro de 1968.

Imagem Sonora “Pista de Dança”: poema de Waly Salomão, recriado por Michel Mingote, Cleber Cabral e Rafael Carneiro

Waly Salomão nasceu em 03 de setembro de 1944, em Jequié, na Bahia, e nos anos 60 aproximou-se de artistas que se identificaram com o movimento tropicalista. Poeta e letrista, produtor cultural e diretor artístico, é co-autor de músicas consagradas, como “Mel” e “Talismã”, com Caetano e Maria Bethânia. Waly lançou seu primeiro livro do poemas em 1971, “Me Segura que Eu Vou Dar um Troço”, com textos escritos durante uma temporada passada na prisão, paginados e diagramados pelo artista plástico Hélio Oiticica, de quem escreveu a biografia, “Qual É o Parangolé”. Participou da organização e edição de “Os Últimos Dias de Paupéria”, de Torquato Neto, morto em 1972, com quem fez a revista “Navilouca”. Outros de seus livros foram “Gigolô de Bibelôs”, “Surrupiador de Souvenirs”, “Algaravias”, “Lábia”, “Tarifa de Embarque”, dentres outros. Waly Salomão morreu em 05 de maio de 2003, no Rio de Janeiro.

Poemas Músicas “Com os Dentes”: poetas vivos e mortos musicados e interpretados por Reynaldo Bessa

Poemas musicados e gravados no disco Com os Dentes e seus respectivos autores: “Sozinho”, de José Luis Peixoto, português de Galveias, “Morena”, de Auta de Souza, norte-rio-grandense de Macaíba, “Cartas de amor”, de Fabrício Carpinejar, gaúcho de Caxias do Sul, “Canção do exílio”, de Marcelo Alvarez, paulista de São Paulo, “Na esquina”, de Alice Ruiz, paranaense de Curitiba, “Hão de chorar por ela os cinamomos”, de Alphonsus de Guimaraens, mineiro de Ouro Preto, “Cantilena prévia”, de Carlos Drummond de Andrade, mineiro de Itabira, “Tambor”, de Ricardo Corona, paranaense de Pato Branco, “Leda”, de Paulo Leminski, paranaense de Curitiba, “Arranjo de rouxinol e gloxíneas”, de Wilmar Silva, mineiro de Rio Paranaíba, “E suma com eles…”, de Charles Bukowski, alemão de Andernach.

Serviço
Terças Poéticas – 2º aniversário de inverno
Datas: 3 de julho
Horário: 18h30
Local: Jardins Internos do Palácio das Artes
Entrada Franca

A Barragem da Pedra de Jequié-Ba

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A Barragem da Pedra é um dos pontos turísticos mais visitados do município de Jequié. Além de gerar emprego e renda com a pesca artesanal para a população que ali reside, também estimula práticas de lazer e entretenimento para a comunidade jequieense. A Prefeitura de Jequié, através de sua Secretaria Municipal de Agricultura, Irrigação e Meio Ambiente, em parceria com o Governo Federal, Ministério de Minas e Energia e CHESF, preocupada com o bem estar de quem dali se sustenta e se diverte, e por conta do aumento da proliferação de piranhas no lago da Barragem, promove junto aos parceiros e com o apoio da Associação de Pescadores da região, até o final do ano, um trabalho educativo de sensibilização e prevenção contra possíveis ataques de piranhas. Estarão sendo distribuídos panfletos informativos durante os finais de semana, além de já estarem fixadas placas de advertência em pontos estratégicos no entorno do lago.

BARRAGEM DE PEDRA

O aproveitamento hidrelétrico de Pedra, implantado no Rio de Contas, localiza-se na Bahia à 18 km à montante da cidade de Jequié e 400km da cidade de Salvador.

Características técnicas

- Tipo Concreto

- Vertedor 7 comportas do tipo setor

- Potência total instalada 20.007 kw

- Volume útil do reservatório 1.305 hm³

- Volume total do reservatório 1.640 hm³

- Área da bacia hidrográfica 53.000 km²

- Área do reservatório 101 km²

- Vazão regularizada 10 m3/s

- Comprimento da crista 440 m

- Altura máxima da barragem 57 m

- Cota de coroamento 232 m

- Cota da soleira do vertedouro 219 m

- Nível máximo operativo normal 228 m

A barragem de Pedra, operada pela CHESF, registrou em 19/11/2007 um volume de acumulação de 1.099 milhões de m3, o que corresponde a 67,01% do seu volume máximo normal. O gráfico, apresentado a seguir, ilustra a variação do volume reservado nos últimos vinte e quatro meses.

 

Festival Jodorowsky

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Cinema, Vídeo, Exposição, Debates e Leitura de Tarot

Data: 20 de novembro a 02 de dezembro

O complexo universo do artista multimídia Alejandro Jodorowsky, considerado um gênio em suas criações e consagrado mundialmente em todas as atividades a que se dedica, será apresentado pela primeira vez no Brasil. Chileno, radicado em Paris desde os anos 60, se dedica a uma série de atividades ligadas a diferentes formas de expressão artística, tais como cinema, literatura, história em quadrinhos, teatro e tarot. Sua cinematografia é referência para muitos cineastas inquietos e de espírito revolucionário em diversas partes do mundo. Além de conferências ministradas pelo próprio Jodorowsky, o evento reúne exibição de filmes, exposição de fotos, cartazes e HQ’s e debates sobre os temas principais de sua obra.

Salvador quer manter turistas após o Carnaval

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A velha expressão de que o ano só começa depois do Carnaval não se aplica para todos os brasileiros. Muitos deles tem a sua grande fonte de renda, exatamente, no período da festa. Para esses, o ano não começa, termina.

Tendo em vista isso, Salvador está criando maneiras alternativas de manter os seus vistantes em terras soteropolitanas. Uma delas é incluir o Porto da Barra no projeto Praia 24 horas.

Programa Espicha Verão

Em reunião organizada pela Bahiatursa, no Centro de Convenções, cerca de 30 representantes da sociedade organizada, incluindo representantes do trade turístico, de órgãos municipais, estaduais e federais e das associações Moradores e Amigos da Barra e da Graça, se mostraram receptivos à ação. Durante o encontro, foram aprovadas as linhas mestras do projeto Praia 24 Horas, que será realizado na praia do Porto da Barra, e é um dos itens do Programa Espicha Verão que visa atrair e prolongar a permanência do turista, em Salvador, após o Carnaval.

O projeto prevê a realizações de eventos sempre aos sábados - dias 9, 16 e 23 de fevereiro - e para isso uma das primeiras ações será a instalação de iluminação especial, um esquema de segurança específico, serviço médico, salva vidas, corpo de bombeiros e limpeza. Também serão criados espaços apropriados para as realizações de shows, exposições artísticas, cinema, esportes e feiras.

Fonte: Jornal Turismo

JAU NO PELÔ

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Jorge Nunes, presença jequieense III Festival Universitário de de Música - 2 º dia

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

 

I Semana da Consciência Negra

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A I Semana da Consciência Negra, organizada pela União dos Negros de Jequié, foi aberta no dia 20, com a exibição do filme Hotel Ruanda, na Casa da Cultura Pacífico Ribeiro, com a exposição de elementos da Religião de Matriz Africana, Capoeira e Maculelê, no Museu Histórico de Jequié. Nos dias 21e 22, foi exibido o documentário Quilombos da Bahia, na Casa da Cultura. No Centro Educacional Presidente Médici, foi realizada a exposição da Vitrine Viva dos Orixás, painéis, fábulas africanas, palestras e degustação de comidas típicas. Constam ainda da programação, na Sexta-feira, dia 24, exibição do filme O Jardineiro Fiel, direção de Francisco Meireles, no Centro de Cultura, seguida de Mostra Cultural na Praça Rui Barbosa, com exposição de elementos da religião de matriz africana, capoeira, maculelê e apresentação do afoxé Filhos do Congo. A mostra terá continuidade no Sábado, no mesmo local.

Na Quarta-feira, dia 29, a programação será encerrada com uma sessão especial, às 19:30h na Câmara de Vereadores, exposição da pesquisa sobre “O negro no mercado de trabalho”, apresentações culturais e homenagens a pessoas da comunidade que contribuem para o fortalecimento das ações afirmativas na luta pela consolidação das políticas de promoção da igualdade racial.

Por ASCOM

Ana Carolina apresenta Gregorio de Matos

sábado, 17 de novembro de 2007

http://www.cineclick.com.br/cinebrasil/hotsites/gregoriodemattos/imagens/gregorio_top.jpg
Por Angélica Bito

Gregório de Mattos Guerra, advogado e poeta, nasceu em Salvador no dia 7 de abril de 1623. Sua figura, como poeta e agitador cultural, encantou a cineasta Ana Carolina. Depois do sucesso de Amélia (2000), ela volta em Gregório de Mattos, que estréia no próximo dia 16 em São Paulo, Belo Horizonte e Salvador.

Gregório de Mattos é um filme despretensioso, cuja força está calcada nas interpretações e no texto contundente, baseado em poemas de Gregório, também conhecido como “Boca do Inferno”. O apelido veio graças às suas críticas ao poder vigente em um Brasil que estava apenas engatinhando em sua evolução. O objetivo não é apresentar sua vida. Mesmo porque não se sabe muito sobre ela. O que se sabe, ficou registrado em seus poemas, altamente críticos, refletindo o que se passava dentro e ao redor do poeta. Obra e vida se confundem em uma figura única na literatura brasileira.

Gregório de Mattos é quase uma volta de Ana Carolina ao cinema documental, que teve início com Getúlio Vargas, em 1974. Desde então, a cineasta se concentrou em filmes cujas figuras centrais são mulheres. Seu último filme, Amélia, foi sucesso de público. Quase totalmente falado em francês, não se parece em nada com Gregório de Mattos, mais simples e totalmente apoiado no texto e nas interpretações.

Ao lado de atrizes experientes, como Ruth Escobar e Xuxa Lopes, Ana Carolina nos traz uma Marília Gabriela surpreendente, forte e expressiva. Waly Salomão, na pele do poeta, mostra a efervescência de idéias em Gregório de Mattos, mostrando uma figura que vagava pelas ruas da Bahia, entre freiras e escravos. Desenvolto, desafiava por meio de suas palavras toda forma de poder, seja ele político, religioso e - por que não? - sexual.

 

Com 72 minutos de duração, Gregório de Mattos pincela algumas passagens da vida do poeta e sua poesia, um traço da cultura brasileira que acabou perdida no tempo.

Por que Gregório de Mattos?

Na verdade, não sei muito bem. Sempre li Gregório de Mattos. Minha trajetória literária e cultural passa pela poesia, não dá para ficar sem ela. Conheci Gregório de Mattos quase que naturalmente, do mesmo jeito que conheço a poesia brasileira e a portuguesa. A princípio, o filme teria de 15 a 20 minutos, mas fiquei empolgada. Levantei mais apoio cultural e fiz um filme barato (seu orçamento não chegou a R$ 400 mil), mas um longa, com elenco excepcionalmente estranho, mas excepcionalmente bom. O Gregório, que é o Waly, não é um ator, é um poeta baiano detonado, uma pessoa que traz o norte da Bahia - o norte no sentido da navegação mesmo -, ele é o norte do filme. As mulheres são todas amigas minhas e deram um suporte dramaticamente muito bom.

Como foi a caracterização do Waly como Gregório de Mattos?

Tenho quase certeza de que o Waly é a reencarnação do Gregório. Então, não caracterizei o Waly como Gregório. Peguei o Waly como um norte para mim, porque não sou baiana e o Waly é um poeta baiano de uma geração detonada, a mais criativa que o Brasil teve depois da geração de 45. A geração de 68, que é a do Waly, foi um marco na história, com pessoas de uma lucidez quase louca. E o Waly é isso mesmo que você vê no filme. Só coloquei nele uma roupa de época. Ele não vai ser degredado para a Angola, mas atrapalha pra caramba, como o Gregório.

 Atrapalha como?

O Waly é uma voz que dá um ruído na cultura brasileira. É uma pessoa que fala o que dá na cabeça, o que é ótimo.

Foi difícil trabalhar com uma pessoa assim?

Não, ele faz bem para a saúde porque você tem de ficar absolutamente em alerta. E isso é bom.

E a escolha da Marília Gabriela?

Ela é minha amiga, com muitas características de boa atriz. Vi o espetáculo que ela fez da peça do Beckett (Esperando Beckett, dirigida por Gerald Thomas) e tive a consciência de que ela poderia fazer este filme. Perguntei se tinha interesse no papel e ela topou. Já a Ruth (Escobar) é uma atriz formada, com um gabarito espetacular.

Por que você acha que o Gregório de Mattos é uma identidade cultural brasileira?

Ele é a personificação do perfil do brasileiro. Formulou isso tanto na poesia quanto na vida que levou. Uma pessoa cheia de contradições, um homem amoroso e violento, desobediente; tudo que ele tem, nós temos. Mas, principalmente, o luxo do Gregório de Mattos é que ele formulou poeticamente o caminho da literatura e da poesia brasileira. Os nossos melhores poetas e escritores passaram por Gregório de Mattos. Se você analisar seriamente sua poesia, verá que a modernidade que o Brasil poderia apresentar na poesia até hoje, passando pela Semana de 22, pelos parnasianos… Tudo isso passou pelo pedágio do Gregório, porque ele tocou em todos os pontos que dão a identidade do homem brasileiro.

Hoje em dia, faz falta uma figura como ele?

Sempre faz. A gente está sempre precisando de uma porta-voz para nossas reivindicações, nosso amor e ódio pelo Brasil. Isso precisa ser dito, pensado, gritado, esperneado. Isso era Gregório de Mattos e hoje temos muito pouco desse espírito.

Você apontaria alguém, hoje, que tente exercer esse papel de porta-voz?

O Caetano (Veloso) é um homem que ainda está na proa desse navio. É o grumete, ainda, pois esse navio está indo por um mar aberto - a gente não vê quem está navegando nesse barco chamado Brasil. O Glauber (Rocha) era um, mas nossa cultura está ficando cada vez mais indefinida. São grumetes da alma brasileira.

Você acha que isso é conseqüência da forte influência que vem de fora?

O mundo mudou. Essa indefinição não é mais chamada de indefinição e sim de globalização. Essa coisa rápida, instantânea e, principalmente, essa névoa no continente latino-americano não é mais névoa e sim poluição.

Como cineasta, você se vê no papel de tentar resgatar uma identidade brasileira?

Não tenho essa pretensão. Ao contrário, o filme é despretensioso, sob todos os aspectos: financeiramente, dramaticamente… Ele é um filme simples, que eu faria em 1968, mas não tinha maturidade. Não tenho pretensões de ser um arauto da luta brasileira, não dá.

Qual foi o objetivo: apresentar a vida ou a poesia de Gregório de Mattos?

Apresento traços da vida de Gregório de Mattos, porque não se sabe muita coisa dele. Sabe-se que ele nasceu em Salvador e com 11 anos foi embora para Lisboa, onde se formou em Direito e se casou. Trabalhou para a corte portuguesa e, depois de perder sua mulher, voltou para Salvador, aos 44 anos, onde fez a maior parte de seu trabalho poético. É degredado para a Angola, volta três anos depois e morre em Pernambuco. Ou seja, a vida dele está perdida no tempo. Na verdade, ele é um pouco como Shakespeare. Algumas pessoas falam que, talvez, toda a obra de Shakespeare nem tenha sido escrita por ele. Ele é, na verdade, um personagem emblemático da Inglaterra. Gregório é uma coisa emblemática da poesia e da literatura brasileira. Talvez, nem todas as poesias que estão condensadas em dois ou três volumes, como sendo dele, talvez não sejam, mas é o único cronista e poeta que nos deu o retrato daquele Brasil que estava apenas começando. O Brasil tinha 130 anos, imagina, não é nada, não é? É ele o titular da brasilidade.

O filme chamava, originalmente, Gema a Quem Gemer, ou o Pouco Que Se Sabe de Gregório de Mattos. Portanto, não tenho a pretensão de mostrar a vida dele porque não sei nada sobre isso. O que sei é da poesia dele e o que se fala no filme é sobre isso.

Como você selecionou as poesias que entraram no filme?

Ninguém agüentaria um filme de duas horas com poesias faladas em português sessentista, então, juntei no máximo 20 poemas. Dei rápidas pinceladas em vários lados do Gregório: espiritual, amoroso, erótico, político. No filme, temos uns quatro ou cinco Gregórios, não mais, para dar um perfil rápido do poeta.

Quanto tempo demorou para você selecionar os textos?

A escolha foi muito natural, orgânica. O que bateu em mim, bateu no filme.

Por que o uso da fotografia em sépia, tão atípica nos filmes atuais?

Para dar essa cara de tempo. Foi uma escolha dramática. Não queria que fosse um filme com cores tropicais, felizes. É uma cor do passado. A atualidade não é a imagem, e sim o texto.

Quanto tempo o filme levou para ser feito?

A filmagem durou seis meses. É a primeira vez na minha vida que finalizo um filme em sete meses. O que é ótimo porque você fica livre daquele “ovo” rapidamente.

Como você se sente com a exibição de todos os seus filmes em uma Mostra em São Paulo, na Cinemateca?

Acho legal, me dá um sentido de minha existência profissional.

Como você faria um balanço de sua carreira?

Ainda não dá para fazer… é pouco para fazer um balanço.

E os projetos futuros?

Têm vários, mas nunca falo de projetos futuros porque sou supersticiosa. Preciso ter saúde para fazê-los, mas tenho muitos projetos. Ainda tenho muita vontade de fazer mais cinema.

Patrocinadores de Gregório de Mattos: Governo da Bahia, Bahiatursa, Fundação Gregório de Mattos, Odebrecht, Pestana Hotels & Resort, Nordeste, Bradesco, BNDES, BRAsKem, Prefeitura do Estado do Rio de Janeiro - Secretaria da Cultura.

 

A fantástica fábrica de Tom Zé!

sábado, 17 de novembro de 2007

Fabricando Tom Zé. Nome apropriadíssimo, afinal, se Tom Zé não existisse seria preciso fabrica-lo. Quando eu li no site do Luzes da Cidade que esse filme seria exibido (e de graça) eu me entusiasmei. No tão famigerado dia da exibição não havia nenhum famoso na platéia (ao contrário das outras seções que assisti, onde encontrei com Cláudio Gabriel, Mariana Ximenes, Gabriel Wainer, entre outros), mas foi talvez o filme que mais valeu a pena.

Tom Zé é um homem esquecido pela cultura brasileira e, no entanto a defende em terras estrangeiras, como mostra o filme no momento em que ele briga com um técnico francês, e diz: “Eles poderiam arrumar o som, but they don’t like the stily”. Tom Zé não foi, não é, e nunca será um tropicalista. Por quê? Porque Tom Zé é maior que a Tropicália. Ele pula e regurgita em todo esse movimento enquanto Gil e Caetano têm que se recobrir, pois são pequenos perto de Tom Zé. As enceradeiras já eram instrumentos para Tom Zé antes mesmo da Tropicália; o que aconteceu é que englobaram ele nesse movimento. Mas Tom é muito maior que isso, e mesmo quando a trupe tentou esquece-lo ele foi fazer show fora do país e virou cult aqui dentro.

O filme é muito divertido, mas com Tom Zé não poderia ser diferente. A película tem depoimentos de Gil e Caetano, e desses dois o melhor é ver o último dizendo que foi a um show de Tom Zé, com a ex-mulher, Paula Lavigne, e ela disse: “Caetano, você é bom, mas Tom Zé é gênio”. Minha tristeza mesmo foi ver os créditos subirem e perceber que o final do filme havia chegado: bem vindo ao mundo real.