Sucesso do filme ‘Tropa de elite’ impulsiona a carreira dos atores

Tropa de elite é o fenômeno cinematográfico do ano, quanto a isso, não há dúvidas. Mas, além das polêmicas e do sucesso – já foram mais de 1,6 milhão de espectadores, sem contar a pirataria –, o filme de José Padilha deu aos atores Caio Junqueira, o Neto, e André Ramiro, o Matias, o reconhecimento que ambos perseguem há tempos. Para Junqueira, que aos 30 anos já acumula 22 de carreira, o filme foi um divisor de águas. Elogiado no papel de Neto, o ator estava ciente desde o início de que estar no elenco de Tropa era algo muito importante. “Todos os caras da minha geração fizeram testes, todo mundo queria este papel”, conta. “Eu tive que provar que era o cara certo.”
André Ramiro não tinha a mesma percepção do colega. “Não sabia como ia ser”, conta.
“Na hora de filmar, já cheguei meio preparado. Por causa da desenvoltura no palco, não foi tão difícil. As câmeras gostaram de mim, e eu, delas”, brinca o carioca, que diz estar vivendo um caso de amor com a dramaturgia. Depois de todo o sofrimento que foi a preparação para ambos se tornarem oficiais do Bope no longa, os dois se tornaram amigos. “Passamos por tudo aquilo que aparece no filme, entrávamos no riacho às 6h. Foi pauleira”, lembra Junqueira. “Mas o bom é que, ao final do treinamento, a amizade do grupo ficou fortalecida”, conta Ramiro.
Agora, com o filme lançado e o talento reconhecido, os dois seguem por caminhos diferentes. Ramiro, que terminou de gravar uma participação em 174, de Bruno Barreto (que é baseado no documentário Ônibus 174, de Padilha), fez um curta com Gabriel O Pensador, uma participação em Linha direta, da Globo, e uma peça, Sapatinhos vermelhos. Mas o que ele quer mesmo é seguir carreira como músico. Antes de Tropa, Ramiro era conhecido no cenário hip hop – em janeiro, ele venceu uma das principais batalhas de MCs do Brasil, a Liga dos MCs. “Desde mais novo eu escrevo rimas e há seis anos estou na batalha para lançar um CD”, conta.
Com a visibilidade alcançada por causa do cinema, o primeiro trabalho como rapper, o CD As crônicas do Rato Careta, deverá chegar às lojas no início de 2008. Uma das músicas do seu primeiro trabalho é Não foi à toa. “O filme está me dando projeção na dramaturgia e na música, e espero que seja um condutor para esse disco. Acredito que muita gente queira saber o que o cara do Tropa está falando”, afirma. Caio Junqueira, que diz que “a tevê havia se esquecido” dele, foi lembrado rapidinho depois de sua impressionante atuação. Acostumado a altos e baixos, sabe que agora é a sua vez. No papel de Gaspar na nova novela das seis da Globo, Desejo proibido, que estréia segunda-feira, Junqueira quer se manter em alta. E, no que depender do autor da trama, Walther Negrão, ele será atendido. “O Caio foi recomendado pela direção, e eu aceitei porque já conhecia bastante do trabalho dele. Mas, depois de vê-lo em Tropa de elite, pensei comigo mesmo: ‘Terei de aumentar muito o papel dele na trama’. O talento que esse menino tem é impressionante, não irei desperdiçá-lo”, diz o autor.
Sem temer a responsabilidade, ao saber do elogio, Junqueira declarou, com um sorriso: “Quero mais é que aumente mesmo. Estou adorando fazer a novela, vou ficar superfeliz se meu personagem crescer, claro”. Na trama, Gaspar será o responsável pela implementação da ferrovia e vai enfrentar a ira da cidade porque seu projeto prevê a destruição de uma gruta onde há uma santa milagreira. “Mas, depois de conhecer os motivos da população, ele vai virar a casaca”, conta a co-autora da trama, Jackie Vellego.
Sobre o personagem, Junqueira revela que se inspirou no avô. “O Gaspar é uma pessoa muito dedicada e honesta. Ele lembra o meu avô”, diz. Mas o ator não é figurinha nova na tevê: desde os 8 anos, se dedica à dramaturgia. Filho do diretor Fábio Junqueira, convive no meio artístico desde pequeno. O primeiro papel foi em Tamanho família, uma espécie de A grande família, em 1985, na TV Manchete. Seu segundo personagem na tevê foi na Globo, em Armação ilimitada, em 1988, como Eugênio. Foram mais 15 personagens na televisão antes de estrear no cinema, no filme Buena sorte, em 2006. Abril despedaçado e Zuzu Angel, entre outros longas, fazem parte do currículo do ator, que tem 12 filmes.
“Trabalho desde pequeno, sou ator desde os 8 anos. Que bom que as pessoas estão reconhecendo o meu trabalho”, diz. Enquanto Junqueira se dedica às novelas, Ramiro diz que dá, sim, para conciliar a carreira de músico com a de ator e avisa que está só esperando por um convite. “Eu me considero um abençoado por Deus por estar fazendo parte desse sucesso todo”, conta.
