Arquivo da Categoria ‘Homenagens’

Assista a um trecho do documentário “Um certo Dorival Caymmmi”:

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Paulinho da Viola

domingo, 23 de março de 2008

Filho do músico Cesar Faria, Paulinho da Viola cresceu num ambiente naturalmente musical. Na sua infância em Botafogo, bairro tradicional da zona sul do Rio de Janeiro onde nasceu em 12 de novembro de 1942, teve contado constante com a música através do pai, violonista integrante do conjunto Época de Ouro. Nos ensaios familiares do conjunto, Paulinho conheceu Jacob do Bandolim e Pixinguinha, entre muitos outros músicos que se reuniam para fazer choro e eventualmente cantar valsas e sambas de diferentes épocas. Ao longo dos anos 70, Paulinho gravou em média um disco por ano, ganhou diversos prêmios e se apresentou por diversas cidades no Brasil e no mundo. Já nos anos 80, gravou mais quatros discos e manteve-se como um dos principais nomes do samba no país. Nos anos 90, entrou numa nova fase, onde a imprensa e os críticos passaram a vê-lo como um músico mais sofisticado e maduro. Mesmo sem perder seu apelo popular, Paulinho gravou um de seus mais importantes trabalhos, Bebadosamba e montou o espetáculo homônimo.O trabalho de Paulinho hoje é visto como um elo entre diversas tradições populares como o samba, o carnaval e o choro, além de suas incursões em composições para violão e peças de vanguarda. Um dos maiores representantes do samba e herdeiro do legado de músicos como Cartola, Candeia e Nelson Cavaquinho mostra que está sempre se renovando e produzindo sem abandonar seus princípios e valores estéticos.

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Ao longo de sua carreira, Paulinho recebeu diversos prêmios e foi tema de diversas matérias na imprensa brasileira e internacional.Na seção de reportagens, selecionamos para representar simbolicamente as inúmeras entrevistas que o sambista deu ao longo da carreira, uma concedida ao jornal “O Globo” em 1970, onde Paulinho comentava a sua breve carreira até então. Em contraponto, selecionamos também as melhores matérias publicadas sobre a comemoração dos seus 60 anos em novembro de 2002. Para representar a seção internacional, mostraremos uma matéria publicada no jornal francês “Le Monde”.

O reconhecimento do trabalho de Paulinho se estende para outras áreas além da imprensa. Recebeu diversos prêmios dados por instituições, empresas, associações entre outros. Podemos destacar o Golfinho de Ouro de 1968, o primeiro lugar no festival de MPB da TV Record de 1969, o prêmio da APCA de melhor show do ano de 1982 com Zumbido e 1997 com Bebadosamba, o Prêmio Shell de 1992, o prêmio Sharp com nove troféus entre outros.

A importância do trabalho de Paulinho também foi reconhecida por órgãos governamentais, podemos citar a comenda dada pelo governo brasileiro da Ordem do Mérito Cultural, em 2001, e o título dado pelo governo francês de Chevalier de L’ordre des Art et des Letters, em 1985. Estas são algumas das muitas manifestações de reconhecimento pelo seu trabalho.

Um sinal de gratificação pelo trabalho de Paulinho que representa uma parte significativa da música popular brasileira há quatro décadas.

Exposição audiovisual apresenta obra de Glauber Rocha

segunda-feira, 17 de março de 2008

Exposição audiovisual apresenta obra de Glauber

Créditos: Lúcio Távora / Agência A TARDE

Está aberta a visitações até o dia 24 deste mês, a exposição audiovisual “Glauber, Uma Revolução Baiana”, do cineasta baiano Glauber Rocha. A

mostra apresenta diversos painéis, com imagens e textos sobre a obra do cineasta, além de vídeos que exibem o processo de filmagem e

restauração dos principais filmes de Glauber. O público poderá assistir também os curtas Maranhão 66 e Di Cavalcanti e o Programa Abertura, que

Glauber realizou na TV Tupi.
Exposição “Glauber, Uma Revolução Baiana”.
Quando: Visitação das 14 às 18 horas, Até dia 24.
Onde: Teatro Castro Alves (3339-8014) | Pç. Dois de Julho, s/n, Campo Grande.
Entrada: Gratuita.

Miguel Mensitieri

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

 MIGUEL ANGELO MENSITIERI ALMEIDA

Baiano de Jitaúna

Tem quatro livros prontos para publicação. Funcionário da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia há 24 anos e desenvolve atividade técnica na área de criação e revisão de textos. É revisor e redator. Atividades nas áreas de literatura, teatro, música, literatura de cordel e crítica literária.

Paulo Fortes

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Paulo de Paiva Fortes, nasceu em 7 de fevereiro de 1923, carioca da Rua do Riachuelo, bisneto de Cândido Barata Ribeiro, 1º Prefeito do Rio de Janeiro, filho de Auto Barata Fortes e Zélia de Paiva Fortes. Paulo Fortes Estudou no Colégio São Bento e bacharelou-se em Direito pela Faculdade do Rio de Janeiro (1948). Na Faculdade de Direito participou do Teatro Universitário (TU), dirigido por Gerusa Camões, em diversas peças de teatro e também na Viúva Alegre. O Mº José Torre o viu neste espetáculo e o levou a estudar com Gabriella Besanzoni. Em junho de 1945, D. Gabriella se despedia da carreira e o apresentava em um concerto no Teatro Municipal e na Rádio Gazeta de São Paulo. Neste mesmo ano, em 5 de outubro, estreava no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em La Traviata. Ele considerava esta data como a de sua estréia profissional. Estudou com: Gabriella Bezanzoni, Murillo de Carvalho, Pina Monaco e Flaminio Contini em Florença. Atuou em todas as manifestações de arte: Teatro, Cinema, Televisão. Sua preferência foi a música com a ópera o absorvendo. A crítica escreveu: “O grande êxito da noite, porém, coube a Paulo Fortes, jovem barítono brasileiro, de apenas 22 anos. Desde que pisou a cena, encarnando o velho “Germont”, causou a melhor impressão pelo seu porte, suas maneiras, bem longe de revelar o estreante que ele era. E foi essa impressão que avolumou durante o seu trabalho, até atingir o “clímax” tão famoso em “De Provença.” Sua voz linda, maleável, pura, voz capaz de torná-lo célebre. Não tem, ainda nos graves, o suficiente corpo, o que se explica a sua pouca idade. No mais, porém, revelou as maiores possibilidades canoras e os mais acentuados pendores cênicos. O público entusiasmou-se ante aquele artista jovem e espontâneo. Aclamou-o em delírio, na crença de que será ele, um dia, uma grande figura da arte lírica mundial. É o caso de dizer: amém. Deus permita que não falhe esta esperança. Paulo Fortes tem futuro a desbravar, tem um destino a cumprir. Que não lhe faltem os meios para atingi-lo.” Diário de Notícias, 7 de Outubro de 1945. Foi também o artista que mais vezes atuou no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.Participou como ator em diversos filmes e em diversos programas de televisão. Fez vários recitais de câmara. Gravou vários discos: O Guarani completo e trechos da Fosca, ambas de Carlos Gomes, Canções, e Serestas. Sempre se destacou também como ator, dominando os palcos com facilidade nos mais difíceis e variados personagens como: “O Barbeiro de Sevilha” e “Italiana na Argélia”, de Rossini; “Falstaff”, “Aída”, “O Trovador”, “Rigoletto” e “La Traviata”, de Verdi; “La Bohéme”, “Madama Butterfly”, “Turandot” e “Gianni Schicchi”, de Puccini; “O Elixir do Amor” e “Don Pasquale”, de Donizetti; “Andrea Chenier”, de Giordano; “Carmen” e “Os Pescadores de Pérolas”, de Bizet; “Cosi Fan Tutti”, de Mozart; “O Chalaça”, “O Contratador de Diamantes” e “O Sargento de milícias”, de Francisco Mignoni; “Izath” e “Menina das Nuvens”, de Villa-Lobos; “Pedro Malazarte” e “Um Homem Só”, de Camargo Guarnieri; “O Guarani”, “Salvador Rosa” e o “Poema Sinfônico Coral Colombo”, de Carlos Gomes. Não podem ser esquecidas as suas interpretações em “Os Palhaços”de Leon Cavallo e “Le coq d’or”, de Rimsky-Kosakov. Também na música contemporânea obteve grande sucesso no Rio de Janeiro e em São Paulo interpretando “Eight songs for a mad King” de Peter Maxwell Davies, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Esteve sob a batuta de grandes Maestros como; Tullio Serafin, Antonino Votto, Bruno Bartoletti, Emidio Tieri, Edoardo De Guarnieri , Franco Ghione, Francesco Molinari Pradelli, Henrique Morelenbaum, Nino Stinco, Nino Verchi, Isaac Karabtchevsky, Nino Gaione, Olivero de Fabritis, Romano Gandolfi, Umberto Berretoni, Tino Cremagnani, Vittorio Guy e tantos outros. Atuou ao lado de renomados artistas como: Antonietta Stella, Branca Rosa Baigorry, Elena Arismendi, Elizabetta Barbato, Elena Mauti Nunziata, Laura Londi, Magda Olivero, Margarett Mass, Norina Greco, Pia Tassinari, Renata Tebaldi, Virginia Zeani, Victoria de Los Angeles, Elena Nicolai, Alvino Misciano, Adelio Zagonara, Beniamino Gigli, Cesare Valetti, Ferruccio Tagliavini, Giuseppe Di Stefano, Gianni Poggi, Giacinto Prandelli, Gianni Raimondi, Mario Del Monaco, Ramon Vinay, Gino Becchi, Giuseppe Taddei, Giangiacomo Guelfi, Tito Gobbi, Arnold Van Mill, Agostino Ferrin, Boris Christoff, Giulio Neri, Rossi Lemeni. Promoveu a colocação da estátua de Carlos Gomes - maior compositor operista da América do Sul – defronte ao Theatro Municipal, na Cinelândia. Nesta época um crítico escreveu que a arte não tinha pátria e ele retrucou dizendo que: “A arte não tem pátria, mas o artista tem.” Foi professor da Escola de Canto Lírico Carmem Gomes, do Theatro Municipal. Paulo Fortes faleceu em 09 de janeiro de 1997. Fonte: http://www.paulofortes.mus.br

Carybé

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

 

Hector Julio Páride Bernabó, artisa plástico que sempre se assinou carybe, nasceu em Lanús, na Argentina, em 1911, Naturalizou-se brasileiro em 1957, Famoso por sua dedicação ao folclore braiano,  abordados de maneira estabilizada, Carybé morreu em Salvador, em 1º de outubro de 1997.

Arte
O Compadre dá adeus a Joinville
Exposição de Carybé, pintor argentino, atraiu 1,2 mil pessoas
A exposição “O Compadre de Ogum”, do pintor argentino Carybé, encerrou-se no sábado com cerca de 1,2 mil visitantes. Em média, uma mostra na Galeria Victor Kursancew (onde estava sediada a exposição) reúne o dobro do público. Mas raramente são mostradas no local telas de um artista internacionalmente conhecido como Carybé – o único grande amigo de Jorge Amado que já teve obras expostas na cidade. Um fracasso? Não para o joinvilense Gerson Machado, do terreiro Ile Ase Oju Orun. “A exposição foi um enorme sucesso, por trazer à tona uma discussão qualificada e necessária.”
A discussão citada por Gerson nada tem a ver com as técnicas empregadas pelo compadre Carybé em seus desenhos ou se ele era mais baiano que argentino. O que gerou polêmica foi a ligação do artista com o candomblé.
Segundo os organizadores da mostra, o preconceito em relação aos cultos afro-brasileiros foi o principal motivo da baixa visitação de “O Compadre de Ogum”. “Não tivemos nenhum protesto explícito. Mas acredito que muitas pessoas tenham receio de ser vistas na exposição por colegas da igreja, por exemplo”, opina a diretora da galeria, Maria Helena Scaglia.
Hector Julio Páride Bernabó, o Carybé, morreu em 1997, aos 86 anos, durante uma sessão no terreiro Ilê Axê Opô Afonjá, em Salvador. Seu orgulho era o título de Obá de Xangô, o posto mais alto dado pelo candomblé. As serigrafias de “O Compadre de Ogum” foram feitas a partir de aquarelas que ele produziu para um especial da Rede Globo sobre o romance “Os Pastores da Noite”, de Jorge Amado.
A contadora de histórias Elaine Mendes Meira, que narrava a trama de Jorge Amado para as crianças que visitavam a exposição, afirma que jamais viu algum visitante indignar-se com as referências ao candomblé. “Todos que estiveram aqui saíram maravilhados com a obra de Carybé. As pessoas que criticaram as serigrafias nem chegaram a vê-las”, diz.
Amarilis Laurenti, gerente de patrimônio, ensino e arte da Fundação Cultural de Joinville, explica que os méritos da exposição extrapolaram suas qualidades artísticas. “Com a exposição, mostramos que a cidade não deve apenas respeitar a cultura germânica. Deve respeitar a cultura brasileira.”

Rogério Duarte

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

 

Intelectual e multiartista baiano, Rogério Duarte é artista gráfico, músico, compositor, poeta, tradutor e professor. Nascido em 1939 em Ubaíra, no início dos anos 60 ele se mudou para o Rio, onde cursou arte industrial, tendo sido aluno de Max Bense. Autor dos cartazes de dois filmes de Glauber Rocha, “Deus e o diabo na terra do sol” e “Idade da terra”, tambêm criou, deste último, a trilha  sonora. Entre os vários artistas para os quais fez capas de discos, contam-se Gilberto Gil, Caetano Veloso, João Gilberto, Jorge Ben e Gal Costa.
Rogério Duarte foi um dos mentores intelectuais do Tropicalismo, mantendo estreita relação tanto com o lado poético-musical (Caetano, Gil, Torquato etc.) do movimento quanto com seu lado plástico (Hélio Oiticica). Nessa fase compôs músicas com Caetano e com Gil. Esquerdista, acabou sendo preso e torturado.
Datam do final dos anos 60 suas primeiras incursões pela religiosidade oriental. Quase uma década depois, aderiu ao hinduísmo.

Waly Salomão, Mário de Sá Carneiro e Lúcio Cardoso são homenageados no 2º aniversário do Projeto Terças Poéticas

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O projeto Terças Poéticas celebra na próxima terça-feira, dia 3 de julho, às 18h30, dois anos de existência, apresentando quatro espetáculos poéticos em diferentes pesquisas de linguagem com a poesia. O evento é símbolo das 64 edições do projeto – desde o seu nascimento em 5 de julho de 2005 –, em que participaram 95 poetas vivos e foram homenageados 75 poetas mortos.

Terças Poéticas é uma realização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, através da parceria entre o Suplemento Literário e a Fundação Clóvis Salgado, com apoios culturais da Rádio Inconfidência e da Rede Minas de Televisão. O evento acontece nos jardins internos do Palácio das Artes e a entrada é franca.

Programação

Performance “Sábado da Carne”: poemas de Mário de Sá Carneiro, com Ana Gusmão e Gilberto Mauro

Mário de Sá Carneiro nasceu em Lisboa no dia 19 de maio de 1889. Estréia em 1912 publicando a peça “Amizade”, escrita de parceria com Tomás Cabreira Júnior, e no mesmo ano, lançou “Princípio”, coletânea de novelas. Na mesma época, inicia correspondência com Fernando Pessoa, refletindo seus problemas emocionais e as idéias de morte e suicídio. Em 1914, além de publicar “Dispersão” e “A confissão de Lúcio”, Sá Carneiro intensifica a correspondência com Pessoa. Em 1915, saiu “Céu em fogo”, mais novelas, e participa do grupo modernista em Portugal, no lançamento da revista “Orpheu”, em que é publicado no 2º número o seu poema futurista “Manucure”. Em 1916, em uma carta a Fernando Pessoa, anuncia a intenção de suicídio, o que acontece no dia 26 de abril de 1916, em Paris.

Poema ao Erudito “Mar Alheio”: poema de Lúcio Cardoso, musicado e interpretado por Wallace Armani

Lúcio Cardoso nasceu em 14 de agosto de 1912, em Curvelo, Minas Gerais. Estréia em 1934 com o romance “Maleita”. Pouco depois publica “Salgueiro”, “A luz no subsolo”, “Mãos vazias”, “Histórias da Casa Grande”, “O desconhecido”. Estréia na poesia em 1941 com “Poesias”. Em 1943, lança “Dias perdidos”, um romance autobiográfico.  Em 1944, o segundo livro de poemas “Novas Poesias”. A partir de 1947, inicia um período de intenso trabalho como tradutor. Em 1959, é publicado o romance que representou a consagração definitiva do autor: “Crônica da Casa Assassinada”. Em 1962, Lúcio Cardoso é vitimado por um derrame cerebral, e falece em 24 de setembro de 1968.

Imagem Sonora “Pista de Dança”: poema de Waly Salomão, recriado por Michel Mingote, Cleber Cabral e Rafael Carneiro

Waly Salomão nasceu em 03 de setembro de 1944, em Jequié, na Bahia, e nos anos 60 aproximou-se de artistas que se identificaram com o movimento tropicalista. Poeta e letrista, produtor cultural e diretor artístico, é co-autor de músicas consagradas, como “Mel” e “Talismã”, com Caetano e Maria Bethânia. Waly lançou seu primeiro livro do poemas em 1971, “Me Segura que Eu Vou Dar um Troço”, com textos escritos durante uma temporada passada na prisão, paginados e diagramados pelo artista plástico Hélio Oiticica, de quem escreveu a biografia, “Qual É o Parangolé”. Participou da organização e edição de “Os Últimos Dias de Paupéria”, de Torquato Neto, morto em 1972, com quem fez a revista “Navilouca”. Outros de seus livros foram “Gigolô de Bibelôs”, “Surrupiador de Souvenirs”, “Algaravias”, “Lábia”, “Tarifa de Embarque”, dentres outros. Waly Salomão morreu em 05 de maio de 2003, no Rio de Janeiro.

Poemas Músicas “Com os Dentes”: poetas vivos e mortos musicados e interpretados por Reynaldo Bessa

Poemas musicados e gravados no disco Com os Dentes e seus respectivos autores: “Sozinho”, de José Luis Peixoto, português de Galveias, “Morena”, de Auta de Souza, norte-rio-grandense de Macaíba, “Cartas de amor”, de Fabrício Carpinejar, gaúcho de Caxias do Sul, “Canção do exílio”, de Marcelo Alvarez, paulista de São Paulo, “Na esquina”, de Alice Ruiz, paranaense de Curitiba, “Hão de chorar por ela os cinamomos”, de Alphonsus de Guimaraens, mineiro de Ouro Preto, “Cantilena prévia”, de Carlos Drummond de Andrade, mineiro de Itabira, “Tambor”, de Ricardo Corona, paranaense de Pato Branco, “Leda”, de Paulo Leminski, paranaense de Curitiba, “Arranjo de rouxinol e gloxíneas”, de Wilmar Silva, mineiro de Rio Paranaíba, “E suma com eles…”, de Charles Bukowski, alemão de Andernach.

Serviço
Terças Poéticas – 2º aniversário de inverno
Datas: 3 de julho
Horário: 18h30
Local: Jardins Internos do Palácio das Artes
Entrada Franca

A massa reggueira

domingo, 4 de novembro de 2007

Bahia, o Estado dos verões intermináveis, do sol escaldante e da esmagadora influência cultural afro. Não poderia dar outra: reggae. O preguiçoso e ensolarado ritmo jamaicano é, cada vez mais, um forte aglutinador de público em grandes eventos com astros internacionais na Bahia.
E não se trata de um amor de estação ou de um segmento específico de público. Pessoas dos 8 aos 80 anos, dos mais variados estratos sociais, de roqueiros a pagodeiros, do gari ao engenheiro, todos gostam – nem que seja apenas um pouco. Sem contar com as milhares de pessoas que inseriram o reggae-style no seu dia-a-dia, seja nos dreadlocks e roupas com motivos jamaicanos aos surfistas, skatistas e estudantes. É a massa regueira.
Nos últimos dias, porém, essa massa anda meio consternada pela morte daquele que, provavelmente, era o grande reggaeman da atualidade: Lucky Dube, o cantor sul-africano que já esteve na Bahia por duas vezes, foi assassinado em um assalto no último dia 16 de outubro 2007, em Johannesburgo.
Apelo popular – A notícia da sua morte gerou um insuspeitado tráfego de mensagens para o jornal A TARDE lamentando o ocorrido. Em poucos dias, quase 200 mensagens foram recebidas, sendo que algumas foram publicadas na página de interatividade do jornal no domingo passado (28). O que não deixa de ser uma pequena amostragem do sentimento de uma grande fatia de público. A verdade é que Lucky Dube era um ídolo para o povão na Bahia – e muita gente não sabia disso.
Isso é mais uma demonstração da força do estilo jamaicano na terra do dendê. Uma rápida busca na internet revela centenas de bandas e cantores do estilo em toda a Bahia, que, aliás, tem tradição no estilo desde 1980, quando Gilberto Gil, após turnê com Jimmy Cliff, verteu o clássico de Bob Marley No Woman No Cry para o português (Não Chores Mais), trazendo o reggae para rádios e TVs brasileiras e popularizando o ritmo, que até então era pouco conhecido no Brasil.
O fato inegável é que o reggae está enraizado na cultura baiana. Desde os pioneiros Gil e Lazzo (que hoje mesmo faz show gratuito no Parque da Cidade), até Edson Gomes, Adão Negro, Diamba e Sine Calmon, entre muitos outros nomes que habitam o cardápio musical diário do baiano – na mídia em geral, eventos e casas de shows.
O empresário Alessandro Carybé, provavelmente o mais forte do segmento, faz questão de desmitificar o estado do Maranhão como o grande centro do reggae nacional. “O maior quintal do reggae no País é a Bahia. Enquanto o show do Lucky Dube aqui deu 25 mil pessoas, lá em São Luís deu 4 mil. Agora, o que acontece é que lá o reggae tem apoio do governo estadual. E a Bahia só tem dois artistas de reggae reconhecidos nacionalmente: Edson Gomes e Adão Negro”, observa.
Alessandro Carybé criou os três maiores eventos anuais do estilo na Bahia, que sempre dão casa cheia: Tributo a Bob Marley, Bahia Reggae e República do Reggae (que acontece no próximo dia 17, com Bunny Wailer). Ele também produziu a gravação de um DVD ao vivo de Andrew Tosh (filho de Peter) no Wet ‘n‘ Wild. Um feito, sem dúvida.
Mas Carybé é cuidadoso no momento de avaliar a conjuntura: “Não é um mercado fácil. ‘Ah, encheu, deu dinheiro‘. Não é assim. Na verdade, nem cabe mais do que três eventos de grande porte por ano na cidade. Adão Negro só faz 3 shows por ano. Senão satura o mercado e o público”, acredita.
Respeito – Do outro lado do balcão, o reggaeman Alumínio Roots, que voltou há pouco da Europa, onde se apresentou com sucesso na Inglaterra, acha que “Salvador tem um dos maiores movimentos de reggae do mundo. O que falta é os empresários darem mais oportunidade aos artistas. O que não pode é os irmãos caírem na conversa deles e tocarem de graça nesses eventos enormes”, afirma.
Para Alumínio, as bandas locais que tocam nesses eventos “não são as que as pessoas gostariam de ouvir, mas as que aceitam tocar de graça. Não adianta eles pagarem uma boa grana para um artista internacional e nada para o local. Com todo o respeito aos colegas que tocam, mas no palco deles eu não subo de graça. Não tem sentido, quando temos um público que pagaria para nos ver”, acrescenta. “Se aqui eu fosse tratado só com 50% do respeito que recebi lá fora, tava bom”, calcula.
Serginho, vocalista da Adão Negro, é mais otimista, e acha que a cena reggae baiana “já passou de promissora. É uma realidade. Há 5 anos, a Bahia faz parte do circuito internacional, com shows constantes dos maiores nomes do cenário. A média de público nos grandes eventos é de 25 mil pessoas. Edson Gomes é o maior nome do reggae brasileiro. Não sou eu que digo isso. É fato”, comemora.
por: Chico Castro Jr, de A Tarde

Em 18 de setembro de 1950 era inaugurada a PRF-3 TV Tupy-Difusora de São Paulo

terça-feira, 18 de setembro de 2007

A PRF - 3 TV Tupy-Difusora

Em 18 de setembro de 1950 era inaugurada a PRF-3 TV Tupy-Difusora de São Paulo, primeira emissora de televisão do Brasil e da América Latina. Iniciativa do jornalista paraibano Francisco de Assis Chateaubriand.

Depois de poucos meses de treinamento, alguns radialistas escolhidos por Chatô lançaram-se à aventura de fazer TV. Os estúdios eram pequenos, o equipamento precário, mas o nascimento da TV Tupi foi solene. Assis Chateaubriand presidiu a cerinômia que contou com a participação de um frei cantor mexicano. José Mojica, que entoou “A Canção da TV”, hino composto especialmente para a ocasião. Um balé de Lia Marques e declamação da poetisa Rosalina Coelho Lisboa, nomeada madrinha do “moderno equipamento” fizeram parte do show. A jovem atriz Yara Lins foi convocada especialmente para dizer o prefixo da emissora - PRF-3 - e o de uma série de rádios que transmitiam em cadeia o acontecimento.Ela iniciou dando os prefixos de todas as rádios dos Diários e Emissoras Associadas do Brasil! As do Rio de Janeiro, de São Paulo, do nordeste, de Minas Gerais, do Sul…de todas! Ela mesmo não sabia como decorou todos esses prefixos, sendo que um erro qualquer seria fatal! Os três últimos seriam “PRF-3 Rádio Difusora, São Paulo; PRG-2 Rádio Tupi, São Paulo e PRF-3 TV, São Paulo“. Como entender uma televisão no meio dos prefixos de rádio? Mas, para piorar, Yara Lins não parou só nos prefixos, continuando:

” - Senhoras e senhores telespectadores, boa-noite; a PRF 3 TV - Emissora Associada de São Paulo orgulhosamente apresenta, neste momento, o primeiro programa de televisão da América Latina”.

A seguir entrou a programação na tela dos cinco aparelhos instalados no saguão do prédio dos Diários Associados. Nos primeiros dias, a Tupi trabalhou heróicamente com uma programação das 18 às 23h. E sua antena foi instalada no alto da torre do Banco do Estado de São Paulo (atual Banespa).


Patern da PRF-3 TV Tupi


Há muitas histórias a respeito desse dia. Uma delas é que, empolgado, Chateaubriand teria quebrado uma garrafa de champanhe numa das duas câmeras RCA, fazendo com que a TV no Brasil entrasse em cena com apenas 500/o de sua capacidade, isto é: com apenas uma câmera. Outra é que, acabada a inauguração, a equipe se deu conta de que não havia o que colocar no ar no dia seguinte, pois ninguém havia pensado nisso.

O autor de novelas Cassiano Gabus Mendes que, aos 23 anos, assumiu a direção artística da Tupi, não podia ouvir essas histórias, desmentia quantas vezes fosse preciso. “É tudo invenção do Lima Duarte. Como ele é muito engraçado, as pessoas acabam se convencendo.” dizia ele pouco antes de morrer, em 1994. “Chateaubriand era um homem esclarecido, não ia danificar equipamento e tínhamos programação para as três semanas seguintes”.

Acostumados à improvisação e rapidez do rádio, os pioneiros não tiveram problemas em se adaptar ao moderno veículo e aprenderam muito: ator virava sonoplasta, autor dirigia, diretor entrava em cena. A TV Tupi dos primeiros anos era uma verdadeira escola. Aos poucos, os programas ganharam forma: o primeiro telejornal… a primeira novela.

Uma Vida de Sucessos

O programa “TV de Vanguarda” revelou a primeira geração de atores, atrizes e diretores. Foram apresentadas peças como Hamlet, de Shakespeare, e Crime e Castigo, de Dostoievsky. Alguns programas dos primeiros tempos da TV Tupi tornaram-se campeões de audiência e permanência no ar: Alô Doçura, Sítio do Picapau Amarelo, O Céu é o Limite, Clube dos Artistas (que existiu de 1952 a 1980) e o famoso telejornal “O Repórter Esso” (que ficou 18 anos no ar).

Telenovela foi invenção da Tupi, que as exibia em capítulos semanais e era capaz de ousadias como mostrar beijo na boca. Foi em 1951, na novela Tua Vida Me Pertence, que Vida Alves deixou-se beijar pelo galã Walter Forster.

No jornalismo a emissora repetiu na tela o sucesso do Repórter Esso, que marcou época no rádio brasileiro a partir de 1941. Os locutores Heron Domingues e Gontijo Teodoro entravam no ar com as últimas noticias nacionais e internacionais ao som de um dos mais famosos prefixos musicais da história do rádio e televisão brasileiros.

Símbolo e slogan da Rede Tupi


Se durante a primeira década de sua existência a Tupi foi líder absoluta, nos anos 60 as emissoras concorrentes aprimoraram sua programação para lutar pela audiência. Em 1960 ela passou do canal 3 para o 4, já que a TV Cultura - em sua fase associada - havia sido fundada no canal 2 e as ondas estavam uma interferindo na outra. O seu edifício sede, na R. Alfonso Bovero, 52 - também no Sumaré, onde hoje é a MTV - também havia sido inaugurado. E também a Tupi se unia as demais Emissoras Associadas e fundavam a Rede Tupi de Televisão.

Em 1968, a novela “Beto Rockfeller”, de Bráulio Pedroso, revoluciona a linguagem da televisão. A partir da figura de um anti-herói, surge um novo estilo de interpretação, mais natural. A TV Tupi revela mais uma geração de talentos. A morte de Assis Chateaubriand, em 1968, marca o início de uma crise longa e sem solução. Época que também vendem a TV Cultura à Fundação Padre Anchieta, ligada ao governo. Abalada por problemas financeiros, mal administrada, sem investimentos, a TV Tupi perde qualidade e audiência. Mesmo assim, em 1972 a cor chegava ao sinal da emissora, ao transmitirem a Festa da Uva de Jundiaí, com narração de Blota Júnior.

Últimos anos

As emissoras concorrentes vão ocupando os espaços vazios deixados pela pioneira. Ano após ano, a crise se aprofunda. No fim dos anos 70 a situação é incontrolável. Os salários estão atrasados. Há dívidas astronômicas junto à Previdência Social. Proliferam escândalos financeiros. Em agosto de 1977, Éramos Seis. Cinderela 77 e Um Sol Maior registravam os mais baixos índices de audiência da história da Tupi. Além da audiência, a publicidade também escapolia para as concorrentes, o caixa se esvaziava, os salários deixavam de ser pagos e a greve era questão de tempo. Em outubro de 1977, com três meses de salários atrasados, os funcionários iniciaram a primeira greve, interrompida com o pagamento parcelado dos débitos.

O Fim da Rede Tupi

Os constantes atrasos dos salários mantinham o clima tenso na Tupi. As perspectivas de pagamento dos atrasados eram cada vez mais remotas e as explicações dadas aos funcionários, cada vez mais inconsistentes. Para piorar ainda mais a situação, em outubro de 1978 um incêndio no prédio da emissora, em São Paulo, tirou a Tupi do ar por alguns minutos. No ano seguinte, o elenco de O Espantalho, de Ivani Ribeiro, processou a emissora por violação dos direitos autorais. Entre 79 e 80, nova greve. A crise chegou a Brasilia. O então presidente da República, João Figueiredo. se dispôs a receber uma comissão de dirigentes dos sindicatos envolvidos. Muito se discutia, pouco se fazia.

A greve persistiu até o início de fevereiro, quando a emissora fechou seu departamento de teleteatro e dispensou 250 funcionários. Foram interrompidas as novelas “Drácula” e “Como Salvar Meu Casamento”, drama estrelado por Nicete Bruno e Adriano Reis.

Último logotipo da Rede Tupi - fim da década de 70
Dezessete de julho de 1980. Pouco antes de completar 30 anos no ar, a TV Tupi tem sua concessão cassada pelo governo federal. Minutos antes do meio-dia de 18 de julho de 1980, três engenheiros do Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel) subiram ao décimo andar do edifício-sede da TV Tupi de São Paulo, na avenida Alfonso Bovero, no bairro do Sumaré, e lacraram o transmissor da emissora. Saíam também do ar a TV Tupi do Rio, a TV Itacolomi, de Belo Horizonte, a TV Marajoara de Belém. a TV Piratini de Porto Alegre, a TV Ceará de Fortaleza, e a TV Rádio Clube de Recife.


Um delegado da Polícia Federal e mais quatro agentes davam proteção aos engenheiros. Era o fim da TV Tupi. A emissora saía do ar exatamente 29 anos e dez meses depois de sua inauguração.

O governo militar preferiu a cassação a entregar o canal a uma cooperativa de funcionários. Permanece, entretanto, um acervo de duzentos mil rolos de filmes, 6.100 fitas de videotape e textos de telejornais que contam 30 anos de muitas histórias do Brasil e do mundo.