ESCREVA POEMAS,
MAS SE TE INSULTAREM
RECITE PALAVRÕES.
Sérgio Vaz
ESCREVA POEMAS,
MAS SE TE INSULTAREM
RECITE PALAVRÕES.
Sérgio Vaz
rogério: o gênio por trás dos gênios
Pouca gente sabe que Rógerio Duarte não foi apenas um fazedor de capas e cartazes de discos e filmes - foi, a par disso, o fazedor de uma época. Sobreviveu aos generais, ao Vietnam, a Jimi Hendrix, Jim Morrison, à VPR, às salas escuras das torturas, aos fuzilamentos simulados, aos ratos das celas dos quartéis. Preferiu a locura e a total clandestinidade ao exílio. internado duas vezes em dois hospícios, sobreviveu. Sobreviveu aos tratamentos com drogas em fase de teste, a psiquiatras esquizofrênicos, às camisas-de-força, à pesada a famigerada discriminação por ter assumido em público sua fé na religiosidade. - Mas o que foi mesmo que fizeram bob Dylan, George Harrison, Williaum Butler Yeats, John lennon, Allen Ginsberg, Jack Kerouac? Pouca gente entende o que é Rogério Duarte. Aliás, pouca gente sabe que Rogério Duarte, ao menos, existe.
Esse calabouço onde se colocam os gênios não é uma peculiaridade do Brasil: basta dar uma boa olhada ao redor do mundo. Só se pede a cabeça do homem que carrega uma.
Aqui começa outra história. Com o começo desta história, mudam-se muitos fins e inícios de outras histórias, fazem-se hiatos em vários nexos de até então e peças perdidas de quebra-cabeças intelectuais são encontradas. Entra em cena personagem que vira o drama de cabeça pra baixo!
Ese livro não é apenas mais um livro na prateleira de uma livraria ou de uma biblioteca - é um elo perdido e uma época que acaba de ser encontrado. Um livro que já nasce antológico, essencial, de uma importância que só Caetano, Gil, Glauber e Hélio Oiticica poderão dizer.
E é esse o papo.
Narlan Matos
International Writing Program
university of Iowa, set. 2002

Um dos mais requintados compositores de samba em atividade, letrista e instrumentista aclamado, é filho do violonista e chorão César Faria, do conjunto Época de Ouro. Cresceu no Rio de Janeiro ouvindo em casa canjas de músicos como Pixinguinha e Jacob do Bandolim, e logo aprendeu a tocar violão e cavaquinho.
Passou a freqüentar blocos carnavalescos e em 1962 compôs seu primeiro samba, “Pode Ser Ilusão”. No ano seguinte travou conhecimento com os sambistas da Portela, e com seu samba “Recado”, em parceria com Casquinha, passou a ser integrante da ala de compositores da escola. Em seguida conheceu Cartola, Zé Kéti e os sambistas da Mangueira, tornando-se freqüentador do bar Zicartola nos anos 60.
Por intermédio de Hermínio Bello de Carvalho participou do espetáculo “Rosa de Ouro”, que depois virou disco, e ainda no ano de 1965 gravou, como membro do conjunto A Voz de Morro, os LPs “Roda de Samba” vol. 1, 2 e 3. A partir daí começou a se notabilizar também como cantor, com seu timbre suave e voz doce.
Participou de festivais e em 1968 lançou o primeiro disco solo, “Paulinho da Viola”. No ano seguinte sua música “Sinal Fechado”, harmonicamente elaborada e mais distante das raízes do samba, venceu o V Festival da MPB, mostrando outro lado de seu talento como compositor. Na década de 70 trouxe o choro de volta à moda convidando o Época de Ouro para participar de seu espetáculo “Sarau”.
Alguns de seus maiores sucessos foram sambas em homenagem às escolas: “Sei Lá, Mangueira” e “Foi um Rio que Passou em Minha Vida”, sucesso da Portela, sua escola de coração, no carnaval de 1970. Além desses, Paulinho é o autor de muitos clássicos, como “Dança da Solidão”, “Choro Negro”, “Jurar com Lágrimas”, “Guardei Minha Viola”, “Argumento”, “Amor à Natureza”, “Perdoa”, “Coisas do Mundo, Minha Nega”, “Sentimento Perdido”, “Coração Leviano”, “Sarau para Radamés”, “Pode Guardar as Panelas”, “Onde a Dor Não Tem Razão” (com Elton Medeiros), “Rumo dos Ventos”, “Prisma Luminoso”, “Eu Canto Samba”.
Em 1996 a gravadora EMI lançou em CD 11 discos que estavam esgotados, com o objetivo de disponibilizar toda a sua obra. Em seguida lançou o inédito “Bebadosamba” e pouco depois a gravação do vivo, intitulada “Bebadachama”. Continua se apresentando em shows com a Velha Guarda da Portela ou individualmente, cativando audiências cada vez maiores com a elegância que já lhe valeu o título de Príncipe do Samba.
Em 2003, Paulinho lança “Meu tempo é hoje”, a trilha sonora de do aplaudidíssimo documentário dirigido por Izabel Jaguaribe, que leva o mesmo título e conta um pouco do cotidiano e dessa grande personalidade da música brasileira. No filme a peculiar e discreta rotina do músico e seus hábitos e costumes desconhecidos do grande público mostrados de perto, assim como encontros musicais inesquecíveis com Marina Lima, Elton Medeiros, Zeca Pagodinho, Marisa Monte e a Velha Guarda da Portela.
Show Cláudia Vieira e Banda: Fred Valle, Frederic Praxedes, Front Jr, e Nonato Mendes
12 de dezembro (quarta-feira) - 21 h - Bolshoi Pub.
Participação especial de Du Oliveira

Airto Moreira (Aírton Guimorvan Moreira), instrumentista e compositor, nasceu em Itaiópolis SC em 5/8/1941. Com seis anos de idade entrou para a Rádio Ponta-Grossense, de Ponta Grossa PR, como cantor, estudando em seguida piano, violino e bandolim como bolsista da academia de música da cidade.
Em 1954 tornou-se profissional, contratado pelo conjunto Jazz Estrela, seguindo dois anos depois para Curitiba PR, onde trabalhou como crooner de boate. Em 1958 trabalhou nas boates das docas de Santos SP, mudando-se depois para São Paulo SP, onde foi contratado como percussionista de Guimarães e seu Conjunto, ao mesmo tempo atuando como cantor e baterista numa boate.
Em 1962 integrou como baterista, o então organizado conjunto Sambalanço Trio, ao lado de César Camargo Mariano (pianista) e Humberto Claiber (baixista). Com esse trio estreou no Juão Sebastião Bar, gravou três discos e realizou shows com Lennie Dale, no Teatro Arena, de São Paulo, em 1963, e depois na boate ZumZum, no Rio de Janeiro RJ. Com Aluísio ao piano, integrou o Sambossa Trio, gravando um disco com o conjunto.
Em 1966, com Tuca, defendeu Porta-estandarte (Geraldo Vandré e Fernando Lona), no FNMP, da TV Excelsior, de São Paulo. Como percussionista, tomou parte ainda no Quarteto Novo, com Heraldo (viola e guitarra), Teo de Barros (contrabaixo e violão) e Hermeto Pascoal (flauta).
Em 1967 gravou um LP na Odeon e fez com Edu Lobo o arranjo para a música Ponteio, para o III FMPB, da TV Record, de São Paulo, atuando mais algum tempo nessa emissora, até sua viagem aos Estados Unidos. Sem trabalho, o começo de sua carreira nesse país foi difícil, até que foi convidado a gravar com Miles Davis e passou a integrar o seu conjunto.
Em 1970 já havia gravado o disco Natural Feelings, pela Buddah Records, e no ano seguinte gravava, com Miles Davis, Miles Davis at Fillmore. Saindo do conjunto de Miles Davis, ficou dois anos com Chick Corea no conjunto Return to Forever e formou em seguida seu próprio conjunto, Fingers.
Seu estilo único influenciou os caminhos do jazz moderno, levando a revista norte-americana Downbeat a incluir a categoria Melhor Percussionista do Ano em suas enquetes aos leitores e crítica especializada, vencida por ele mais de 20 vezes desde 1973.
Em 1973 gravou dois LPs Free e Fingers, e, dissolvendo no ano seguinte o conjunto, apresentou-se sozinho, tocando vários instrumentos de percussão. Em maio de 1975 formou novo conjunto com Egberto Gismonti, Raulzinho (Raul de Sousa), no trombone, Ted Lô, no órgão, sintetizador e violino elétrico, Robertinho (Roberto Silva), na bateria e percussão, John Williams, no contrabaixo elétrico e acústico, e Davi Amaro, na guitarra, violão acústico e viola de 12 cordas, assinando contrato com a Arista Records.
Casado com a cantora Flora Purim (Rio de Janeiro RJ 6/3/1942—), desde a década de 1970 tornou-se um dos percussionistas mais requisitados nos EUA. Trabalhou com Quincy Jones, Herbie Hancock e Paul Simon; participou de trilhas sonoras de filmes (O exorcista, O último tango, Apocalypse Now), viajou pela Europa, América Latina, Japão e EUA, dando cursos e palestras em universidades e escolas de música, além de seus shows.
Na década de 1990 tem-se apresentado sozinho, com Flora Purim e com novo conjunto, o Fourth World, integrado por Flora, José Neto, Gary Brown e Jovino Santos, com o qual gravou dois álbuns: Fourth World e Encounters of the Fourth World.
Desde 1994 este conjunto excursiona pelo mundo, apresentando com sucesso uma mistura de bossa nova, samba e jazz, classificada por Airto como world music. Seu interesse por world music e por dance music surgiu em meados dos anos de 1990, abrindo novo mercado para suas produções a partir do remix (arranjos com ritmo tecno para dance music) de suas composições ou de música regional do Brasil (trabalhos com a Banda de Pífanos de Caruaru, Mestre Salustiano e seu Grupo, Maracatu Nação Erê, os três de Recife PE) ou de outros países como Marrocos, Quênia e África do Sul, dos quais já fez a produção de grupos musicais para a gravadora inglesa Melt 2.000.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora
A velha expressão de que o ano só começa depois do Carnaval não se aplica para todos os brasileiros. Muitos deles tem a sua grande fonte de renda, exatamente, no período da festa. Para esses, o ano não começa, termina.

Tendo em vista isso, Salvador está criando maneiras alternativas de manter os seus vistantes em terras soteropolitanas. Uma delas é incluir o Porto da Barra no projeto Praia 24 horas.
Programa Espicha Verão
Em reunião organizada pela Bahiatursa, no Centro de Convenções, cerca de 30 representantes da sociedade organizada, incluindo representantes do trade turístico, de órgãos municipais, estaduais e federais e das associações Moradores e Amigos da Barra e da Graça, se mostraram receptivos à ação. Durante o encontro, foram aprovadas as linhas mestras do projeto Praia 24 Horas, que será realizado na praia do Porto da Barra, e é um dos itens do Programa Espicha Verão que visa atrair e prolongar a permanência do turista, em Salvador, após o Carnaval.
O projeto prevê a realizações de eventos sempre aos sábados - dias 9, 16 e 23 de fevereiro - e para isso uma das primeiras ações será a instalação de iluminação especial, um esquema de segurança específico, serviço médico, salva vidas, corpo de bombeiros e limpeza. Também serão criados espaços apropriados para as realizações de shows, exposições artísticas, cinema, esportes e feiras.
Fonte: Jornal Turismo


Por Angélica Bito
Gregório de Mattos Guerra, advogado e poeta, nasceu em Salvador no dia 7 de abril de 1623. Sua figura, como poeta e agitador cultural, encantou a cineasta Ana Carolina. Depois do sucesso de Amélia (2000), ela volta em Gregório de Mattos, que estréia no próximo dia 16 em São Paulo, Belo Horizonte e Salvador.
Gregório de Mattos é um filme despretensioso, cuja força está calcada nas interpretações e no texto contundente, baseado em poemas de Gregório, também conhecido como “Boca do Inferno”. O apelido veio graças às suas críticas ao poder vigente em um Brasil que estava apenas engatinhando em sua evolução. O objetivo não é apresentar sua vida. Mesmo porque não se sabe muito sobre ela. O que se sabe, ficou registrado em seus poemas, altamente críticos, refletindo o que se passava dentro e ao redor do poeta. Obra e vida se confundem em uma figura única na literatura brasileira.
Gregório de Mattos é quase uma volta de Ana Carolina ao cinema documental, que teve início com Getúlio Vargas, em 1974. Desde então, a cineasta se concentrou em filmes cujas figuras centrais são mulheres. Seu último filme, Amélia, foi sucesso de público. Quase totalmente falado em francês, não se parece em nada com Gregório de Mattos, mais simples e totalmente apoiado no texto e nas interpretações.
Ao lado de atrizes experientes, como Ruth Escobar e Xuxa Lopes, Ana Carolina nos traz uma Marília Gabriela surpreendente, forte e expressiva. Waly Salomão, na pele do poeta, mostra a efervescência de idéias em Gregório de Mattos, mostrando uma figura que vagava pelas ruas da Bahia, entre freiras e escravos. Desenvolto, desafiava por meio de suas palavras toda forma de poder, seja ele político, religioso e - por que não? - sexual.

Com 72 minutos de duração, Gregório de Mattos pincela algumas passagens da vida do poeta e sua poesia, um traço da cultura brasileira que acabou perdida no tempo.
Por que Gregório de Mattos?
Na verdade, não sei muito bem. Sempre li Gregório de Mattos. Minha trajetória literária e cultural passa pela poesia, não dá para ficar sem ela. Conheci Gregório de Mattos quase que naturalmente, do mesmo jeito que conheço a poesia brasileira e a portuguesa. A princípio, o filme teria de 15 a 20 minutos, mas fiquei empolgada. Levantei mais apoio cultural e fiz um filme barato (seu orçamento não chegou a R$ 400 mil), mas um longa, com elenco excepcionalmente estranho, mas excepcionalmente bom. O Gregório, que é o Waly, não é um ator, é um poeta baiano detonado, uma pessoa que traz o norte da Bahia - o norte no sentido da navegação mesmo -, ele é o norte do filme. As mulheres são todas amigas minhas e deram um suporte dramaticamente muito bom.
Como foi a caracterização do Waly como Gregório de Mattos?
Tenho quase certeza de que o Waly é a reencarnação do Gregório. Então, não caracterizei o Waly como Gregório. Peguei o Waly como um norte para mim, porque não sou baiana e o Waly é um poeta baiano de uma geração detonada, a mais criativa que o Brasil teve depois da geração de 45. A geração de 68, que é a do Waly, foi um marco na história, com pessoas de uma lucidez quase louca. E o Waly é isso mesmo que você vê no filme. Só coloquei nele uma roupa de época. Ele não vai ser degredado para a Angola, mas atrapalha pra caramba, como o Gregório.
Atrapalha como?
O Waly é uma voz que dá um ruído na cultura brasileira. É uma pessoa que fala o que dá na cabeça, o que é ótimo.
Foi difícil trabalhar com uma pessoa assim?
Não, ele faz bem para a saúde porque você tem de ficar absolutamente em alerta. E isso é bom.
E a escolha da Marília Gabriela?
Ela é minha amiga, com muitas características de boa atriz. Vi o espetáculo que ela fez da peça do Beckett (Esperando Beckett, dirigida por Gerald Thomas) e tive a consciência de que ela poderia fazer este filme. Perguntei se tinha interesse no papel e ela topou. Já a Ruth (Escobar) é uma atriz formada, com um gabarito espetacular.
Por que você acha que o Gregório de Mattos é uma identidade cultural brasileira?
Ele é a personificação do perfil do brasileiro. Formulou isso tanto na poesia quanto na vida que levou. Uma pessoa cheia de contradições, um homem amoroso e violento, desobediente; tudo que ele tem, nós temos. Mas, principalmente, o luxo do Gregório de Mattos é que ele formulou poeticamente o caminho da literatura e da poesia brasileira. Os nossos melhores poetas e escritores passaram por Gregório de Mattos. Se você analisar seriamente sua poesia, verá que a modernidade que o Brasil poderia apresentar na poesia até hoje, passando pela Semana de 22, pelos parnasianos… Tudo isso passou pelo pedágio do Gregório, porque ele tocou em todos os pontos que dão a identidade do homem brasileiro.
Hoje em dia, faz falta uma figura como ele?
Sempre faz. A gente está sempre precisando de uma porta-voz para nossas reivindicações, nosso amor e ódio pelo Brasil. Isso precisa ser dito, pensado, gritado, esperneado. Isso era Gregório de Mattos e hoje temos muito pouco desse espírito.
Você apontaria alguém, hoje, que tente exercer esse papel de porta-voz?
O Caetano (Veloso) é um homem que ainda está na proa desse navio. É o grumete, ainda, pois esse navio está indo por um mar aberto - a gente não vê quem está navegando nesse barco chamado Brasil. O Glauber (Rocha) era um, mas nossa cultura está ficando cada vez mais indefinida. São grumetes da alma brasileira.
Você acha que isso é conseqüência da forte influência que vem de fora?
O mundo mudou. Essa indefinição não é mais chamada de indefinição e sim de globalização. Essa coisa rápida, instantânea e, principalmente, essa névoa no continente latino-americano não é mais névoa e sim poluição.
Como cineasta, você se vê no papel de tentar resgatar uma identidade brasileira?
Não tenho essa pretensão. Ao contrário, o filme é despretensioso, sob todos os aspectos: financeiramente, dramaticamente… Ele é um filme simples, que eu faria em 1968, mas não tinha maturidade. Não tenho pretensões de ser um arauto da luta brasileira, não dá.
Qual foi o objetivo: apresentar a vida ou a poesia de Gregório de Mattos?
Apresento traços da vida de Gregório de Mattos, porque não se sabe muita coisa dele. Sabe-se que ele nasceu em Salvador e com 11 anos foi embora para Lisboa, onde se formou em Direito e se casou. Trabalhou para a corte portuguesa e, depois de perder sua mulher, voltou para Salvador, aos 44 anos, onde fez a maior parte de seu trabalho poético. É degredado para a Angola, volta três anos depois e morre em Pernambuco. Ou seja, a vida dele está perdida no tempo. Na verdade, ele é um pouco como Shakespeare. Algumas pessoas falam que, talvez, toda a obra de Shakespeare nem tenha sido escrita por ele. Ele é, na verdade, um personagem emblemático da Inglaterra. Gregório é uma coisa emblemática da poesia e da literatura brasileira. Talvez, nem todas as poesias que estão condensadas em dois ou três volumes, como sendo dele, talvez não sejam, mas é o único cronista e poeta que nos deu o retrato daquele Brasil que estava apenas começando. O Brasil tinha 130 anos, imagina, não é nada, não é? É ele o titular da brasilidade.
O filme chamava, originalmente, Gema a Quem Gemer, ou o Pouco Que Se Sabe de Gregório de Mattos. Portanto, não tenho a pretensão de mostrar a vida dele porque não sei nada sobre isso. O que sei é da poesia dele e o que se fala no filme é sobre isso.
Como você selecionou as poesias que entraram no filme?
Ninguém agüentaria um filme de duas horas com poesias faladas em português sessentista, então, juntei no máximo 20 poemas. Dei rápidas pinceladas em vários lados do Gregório: espiritual, amoroso, erótico, político. No filme, temos uns quatro ou cinco Gregórios, não mais, para dar um perfil rápido do poeta.
Quanto tempo demorou para você selecionar os textos?
A escolha foi muito natural, orgânica. O que bateu em mim, bateu no filme.
Por que o uso da fotografia em sépia, tão atípica nos filmes atuais?
Para dar essa cara de tempo. Foi uma escolha dramática. Não queria que fosse um filme com cores tropicais, felizes. É uma cor do passado. A atualidade não é a imagem, e sim o texto.
Quanto tempo o filme levou para ser feito?
A filmagem durou seis meses. É a primeira vez na minha vida que finalizo um filme em sete meses. O que é ótimo porque você fica livre daquele “ovo” rapidamente.
Como você se sente com a exibição de todos os seus filmes em uma Mostra em São Paulo, na Cinemateca?
Acho legal, me dá um sentido de minha existência profissional.
Como você faria um balanço de sua carreira?
Ainda não dá para fazer… é pouco para fazer um balanço.
E os projetos futuros?
Têm vários, mas nunca falo de projetos futuros porque sou supersticiosa. Preciso ter saúde para fazê-los, mas tenho muitos projetos. Ainda tenho muita vontade de fazer mais cinema.
Patrocinadores de Gregório de Mattos: Governo da Bahia, Bahiatursa, Fundação Gregório de Mattos, Odebrecht, Pestana Hotels & Resort, Nordeste, Bradesco, BNDES, BRAsKem, Prefeitura do Estado do Rio de Janeiro - Secretaria da Cultura.
Fabricando Tom Zé. Nome apropriadíssimo, afinal, se Tom Zé não existisse seria preciso fabrica-lo. Quando eu li no site do Luzes da Cidade que esse filme seria exibido (e de graça) eu me entusiasmei. No tão famigerado dia da exibição não havia nenhum famoso na platéia (ao contrário das outras seções que assisti, onde encontrei com Cláudio Gabriel, Mariana Ximenes, Gabriel Wainer, entre outros), mas foi talvez o filme que mais valeu a pena.
Tom Zé é um homem esquecido pela cultura brasileira e, no entanto a defende em terras estrangeiras, como mostra o filme no momento em que ele briga com um técnico francês, e diz: “Eles poderiam arrumar o som, but they don’t like the stily”. Tom Zé não foi, não é, e nunca será um tropicalista. Por quê? Porque Tom Zé é maior que a Tropicália. Ele pula e regurgita em todo esse movimento enquanto Gil e Caetano têm que se recobrir, pois são pequenos perto de Tom Zé. As enceradeiras já eram instrumentos para Tom Zé antes mesmo da Tropicália; o que aconteceu é que englobaram ele nesse movimento. Mas Tom é muito maior que isso, e mesmo quando a trupe tentou esquece-lo ele foi fazer show fora do país e virou cult aqui dentro.
O filme é muito divertido, mas com Tom Zé não poderia ser diferente. A película tem depoimentos de Gil e Caetano, e desses dois o melhor é ver o último dizendo que foi a um show de Tom Zé, com a ex-mulher, Paula Lavigne, e ela disse: “Caetano, você é bom, mas Tom Zé é gênio”. Minha tristeza mesmo foi ver os créditos subirem e perceber que o final do filme havia chegado: bem vindo ao mundo real.
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| Por: Jary Cardoso* | |||||||||
Meio século atrás, os cariocas manifestavam seu desprezo pelos nordestinos classificando todos de “paraíbas”, enquanto os paulistanos chamavam de “baiano” qualquer mulato de cabeça chata, e ambas as denominações serviam para desclassificar quem eles achassem que fosse burro, preguiçoso e submisso. Os tempos mudaram, o preconceito perdeu força no Sudeste e a baianidade virou moda no País. Muitos fatores contribuíram para isso, um deles foi o movimento musical e contra-cultural do tropicalismo, liderado entre outros pelos, baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, José Carlos Capinan, Gal Costa e Maria Bethânia (esta nos bastidores), e um de seus principais artífices foi um carioca, o empresário e produtor Guilherme Araújo, falecido na semana passada. Conheci Guilherme Araújo de perto, no Rio, durante curto, porém intenso período, entre 1972 e 73. Paulistano, eu era um daqueles apelidados de “baiano” pelos colegas de escola em São Paulo (pelo menos no meu caso, o apelido era pura inveja). Vinha da imprensa marginal ou alternativa e trabalhei no setor de divulgação e como assistente de produção na empresa de Guilherme, que tinha escritório na Av. N. Sra. de Copacabana, perto dos fundos do Copa. Era a Guilherme Araújo Produções Artísticas, a Gapa, nome que serviu para o poeta Waly Salomão um dia me xingar violentamente. Nesse dia eu estava na produção de um show de Jards Macalé (carioca que também chegou a ser apelidado de “baiano”), um dos contratados da Gapa na época. E trabalhar na produção significava cuidar desde da coca-cola e a água dos músicos até o movimento da bilheteria. Guilherme era super-rigoroso, exigia precisão, disciplina e muita atenção aos detalhes, e cobrava tudo a todo instante, disparando com espantosa rapidez palavras - emendadas e engulindo sílabas - de advertência, admoestação, ameaças, com argumentações lógicas, demolidoras. Numa dessas rajadas, ele me disse que só tinha prejuízos financeiros bancando shows de “malucos”, embora Macalé, Jorge Mautner e outros fossem criadores maravilhosos, mas só atraíam público de “hipongas” que não tinham dinheiro para o ingresso e mesmo quando podiam pagar queriam entrar de graça. “Os convites já foram todos distribuídos, não tem mais convite”, disse, autoritário, intimador. O show era no Teatro Tereza Rachel, o Terezão, também em Copacabana. Estou ali na bilheteria quando aparece Waly, pra mim um líder e companheiro daquele mundo “underground”. Mas ele está possesso, tomado por ira satânica e me fez logo sentir como quem naquele momento se encontra do outro lado do balcão. A meu ver com carradas de razão, o baiano de Jequié chega vociferando contra Guilherme por não ter lhe enviado convite para o espetáculo de Macalé, cuja concepção artística era justamente de autoria dele, Waly Salomão. Era evidente que duas personalidades fortes, guerreiras e antagônicas como Guilherme e Waly não podiam se entender o tempo inteiro. Barrar Waly era uma atitude despótica do empresário. Eu me considerava cúmplice daqueles inventores de artes e modas revolucionárias e naquele momento me senti deslocado na função. Acabei nocauteado quando Waly abrindo aquela boca enorme começou a berrar apontando para mim: “Gapanga, gapanga, gapanga…” Ou seja, eu não passava de um capanga da Gapa, um lambe-botas do “explorador de artistas”. Foi Caetano Veloso quem me acalmou em relação a Guilherme. Isso foi numa das poucas oportunidades que tive de conversar com Caetano naquela época, porque Guilherme cortava logo, não podia ver assistente dele ocupando tempo de suas estrelas. Caetano gostava muito de Guilherme e me apresentou justificativas fortes para a agressividade dele. Não tenho o direito de revelar coisas muito íntimas, em respeito a Caetano e à memória de Guilherme. Mas o próprio cantor e compositor baiano escreveu em seu livro “Verdade Tropical”: Guilherme Araújo “(…) com sua feiúra combinada a um ar imodesto tinha tudo para ser repulsivo, terminava por cativar quem quer que transpusesse a barreira do primeiro impacto e realmente dele se aproximasse. Havia uma espécie de nobreza no seu jeito franco de emitir opiniões originais sobre o mundo dos espetáculos. (…) Para ele, nós, os baianos, éramos ‘chiques’ e ‘modernos’ e poderíamos ser ‘internacionais’”. O divino e maravilhoso Guilherme Araújo bem merecia o título de cidadão baiano, mesmo sendo post mortem. *Jary Cardoso, editor de Mundo de A Tarde, de Salvador, foi repórter do JA e do Folhetim, de Tarso de Castro, e do Bondinho, de Hamilton Almeida Filho, o HAF. |
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ALB APOIA E INCENTIVA PARTICIPAÇÃO
II ENLLIJ/UESB - 2008
O Centro de Estudos da Leitura-CEL onde se realiza o Programa Estação da Leitura, programa de pesquisa, ensino e extensão da UESB/Campus de Jequié está organizando o II Encontro Nacional de Leitura e Literatura Infanto-juvenil- II ENLLIJ/UESB.
Além das atividades desse evento, realizar-se-á: a II FENALIJ- Feira Nacional do Livro de Jequié, O II Premio Zélia Gattai Amado de Projetos de Leitura, a I FEIRINC- Feira de Indústria e Comércio, a FEIRART- Feira de Artesanato, a ACULT- Agenda Cultural e o I FESTSOL- I Festival Ensaios da Terra do Sol.
O CEL deseja, dessa forma consolidar a leitura e a formação de leitores. O II ENLLIJ/UESB acontecerá em Jequié/BA, no período de 01 a 04 de maio de 2008, na UESB/Campus de Jequié.
As inscrições com apresentação de trabalho e para participar do Concurso de Projetos de Leitura é de: 01.12.2007 a 10.02.2008. Para as demais atividades, as inscrições começam dia 01.12.2007 e estarão abertas até o inicio do evento. Salientamos que a proposta desse encontro é interdisciplinar, contemplando trabalhos que tratem da Leitura nas diversas áreas de conhecimento.
Participe!!!
Maiores informações:
www.celeitura.com.br ou www.uesb.br
Secretaria do II ENLLIJ
e-mail:enllij2@yahoo.com.br ou enllij.secretaria@hotmail.com
Tel: (73) 358 9646 ou 3528 9639
Fax: (73) 3525 6683
Centro de Estudos da Leitura
E-mail: estacaoleitura@yahoo.com.br
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End.: Rua José Moreira Sobrinho, s/n, Jequiezinho – Jequié – BA. CEP.: 45206-190.