Aeronave saiu de Salvador com destino a Barreira e estava a menos de 2km do local em que faria escala.
Um bimotor da empresa Aerotáxi Abaeté de prefixo PT-VCI caiu no início da manhã de ontem, a 2km do aeroporto de Lençóis, matando duas pessoas: o piloto Louriel Navarro, 68 anos, e o co-piloto Bruno de Oliveira Cardoso, 27. A aeronave saiu de Salvador às 5h30, com destino ao Aeroporto de Barreiras e com escala prevista em Lençóis, a 409km da capital, às 6h45. O acidente ocorreu às 6h42, a 1.200m da cabeceira da pista 32, quando o piloto se preparava para o pouso. O bimotor turboélice, modelo Carajá NE 821, estava fretado para um vôo regular da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e levava documentos de compensação bancária do Banco do Brasil.
O avião caiu em uma área de mata fechada e com muita lama, pertencente a uma fazenda da antiga empresa Bahema. Mesmo constatando a queda de imediato e chegando ao local em cinco minutos, policiais militares do Corpo de Bombeiros de Lençóis tiveram certa dificuldade de acesso, usando jipes e caminhonetes. Segundo o comandante do 11º Grupamento de Bombeiro Militar da Chapada Diamantina, o coronel Carlos Miguel de Almeida Filho, às 6h40 um policial viu a aeronave se preparar para pouso. Logo em seguida, deu um sobrevôo e tentava arremeter quando explodiu. Os dois corpos ficaram totalmente carbonizados.
“Quando chegamos, não havia mais o que fazer”, explicou o coronel. O local do acidente fica a 1,5km da sede do Corpo de Bombeiros do município. Com a queda, as asas se soltaram, os dois motores estavam espalhados e a cabine ficou destroçada. Apenas a cauda permaneceu inteira. Pelo crachá, que também ficou intacto, foi identificado o piloto Louriel. O Corpo de Bombeiros isolou a área, debelou o fogo e comunicou o fato às polícias Civil e Técnica e à Aeronáutica. Ontem à tarde, assim que foi realizado o levantamento cadavérico, os corpos foram liberados e encaminhados ao Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues (IML), onde chegaram pouco depois das 20h. “Da cintura para baixo, não ficou quase nada”, informou o agente da Polícia Civil Rogério Pinheiro.
As causas do acidente ainda são desconhecidas, mas há especulações de que o mau tempo tenha contribuído. Porém só o laudo técnico emitido pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) deverá apontar se houve falha humana ou mecânica. A versão preliminar deverá ser apresentada nos próximos dez dias e o centro tem 90 dias para concluir o inquérito. Ontem à tarde, um agente de segurança de vôo da Abaeté, um oficial de segurança de vôo da Aeronáutica e dois inspetores de segurança de vôo da Agência Nacional do Controle Aéreo (Anac) estiveram no local do acidente recolhendo indícios para o processo investigatório.
Só no ano passado, o Cenipa registrou 89 acidentes no país com táxis aéreos. O Aeroporto Coronel Horácio de Matos, em Lençóis, possui uma das maiores pistas de pouso do estado, com 2.080m de comprimento, 30m de largura, e mais 120m de pista para manobras. De acordo com o diretor de operações da empresa, Álvaro Guimarães, a aeronave estava em perfeitas condições de aeronavegabilidade, os motores novos, revisados e documentação e vistorias em dia, de acordo com as exigências técnicas da Anac. “Embora o teto estivesse baixo, havia condições da operação visual”, explica Guimarães.
Há 19 anos na empresa, Navarro era um dos funcionários mais antigos, atuava como instrutor, possuía mais de 25 mil horas de vôo e já havia feito este roteiro muitas vezes. Já o co-piloto Bruno Cardoso, estava na Abaeté há cerca de um ano e contabilizava no currículo duas mil horas de vôo. “Tudo que falarmos agora é prematuro e não passará de simples especulação. É preciso esperar o resultado do laudo. O que posso dizer é que se tratava de um excelente piloto e com bastante experiência”, diz, cauteloso, o diretor de operações.
A aeronáutica não informa se houve algum contato do piloto com a torre, mas vai ser possível saber pela gravação dos contatos com as aeronaves. Na Abaeté, o clima era de grande consternação. Segundo Guimarães, tanto Louriel quanto Bruno eram pessoas queridas, alegres e comunicativas. “De 1960 para cá, Louriel vôou com todos os governadores. O acidente chocou todo o mundo”, informou o diretor de operações. Assim que for liberado pelo IML, o corpo de Bruno deverá seguir para sua cidade natal, Macaúbas, onde será enterrado. Já Louriel, será sepultado hoje, no Jardim da Saudade, às 14h. Ambos deixam esposas e Navarro tinha quatro filhos.