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CAMINHOS E DESCAMINHOS DA GLOBALIZAÇÃO

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Três visões de mundo: a fábula, a perversidade e a possibilidade

Por Wellington Nery*

     

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Num texto limpo e agradável, o que se caracteriza como exceção dentre as obras da temática, Por uma outra globalização do mestre baiano Milton Santos, disseca o fenômeno globalização e abre as janelas da história humana ao alvorecer de três visões de mundo: a primeira como fábula, a segunda como perversidade e a terceira como possibilidade. A primeira seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula que erige de certo número de fantasias forjadas por uma máquina ideológica forte, utilizando-se do discurso uníssono de movimento acelerado e contínuo de ideais que repulsam e rechaçam qualquer pensamento contrário à “evolução natural humana”. Mudar para permanecer o mesmo, tudo igual. Promover “revoluções instantâneas” (tecnológicas, bélica etc.) ao invés de assegurar revoluções reais lentas e graduais (educação para todos e com qualidade, fortalecimento da sociedade civil organizada e da cidadania nela contida etc.) que verdadeiramente contribuem para a real transformação social e a subseqüente evolução humana.

     A segunda seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade. Para a maior parcela da população mundial a globalização está se impondo como uma fábrica de perversidades. Desemprego, fome, violência, a pobreza e o desabrigo se generalizam em todos os continentes. A perversidade sistêmica está na raiz dessa (in)evolução negativa da humanidade tem relação direta com a adesão desenfreada aos comportamentos competitivos que atualmente caracterizam as ações hegemônicas. Todas essas mazelas são imputadas direta ou indiretamente ao presente processo de globalização. 

     A terceira, o mundo como ele pode ser: uma outra globalização. As bases materiais do período atual são, entre outras, a unicidade da técnica, a convergência do momento e o conhecimento do planeta. A questão é como tais bases têm sido trabalhadas pela humanidade, pois elas têm sido o apoio do grande capital para construir a globalização perversa. Só que essas bases podem e devem ser postas a serviço de outros fundamentos sociais e políticos. Ao que pareciam, as condições históricas do fim do século XX apontavam para esta última possibilidade.

     Infelizmente, tem ficado tão somente na aparência, pois a hegemonia da gananciosa aceleração do processo de mais valia e as irracionalidades humanas, caminham crescentemente para um descompasso ao vislumbramento do mestre Milton Santos em seguirmos uma trajetória oposta à que tomamos nos dias atuais. Inexoravelmente, a universalização positiva da humanidade distancia-se a cada momento de intransigência e irracionalidade dos líderes mundiais. No entanto, a esperança persiste e reside em pessoas como Milton Santos e em ações como as de suas obras. E o que nos motiva é a existência de uma verdadeira sociodiversidade, historicamente muito mais significativa que a própria biodiversidade e as famigeradas políticas hegemônicas.

     Fonte: SANTOS, Milton. Por uma outra globalização - do pensamento único à consciência universal. São Pauto: Record, 2000.

* Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo
Especialista em Metodologia do Ensino Superior
Especialista em Comunicação em Saúde

Especialista em Gestão de Pessoas

Jornalista filiado a FENAJ, ao SINJORBA e a AJI - DRT/BA: 1958.
e-mail:
jornalistanery@yahoo.com.br