O Esporte, em todas suas modalidades, tem sido também abordado pelo GICULT, através de notícias sobre os eventos, como IV Fórum de Esporte, abertura do campeonato de futebol do Cururu e muito mais. Na presente matéria, você lerá uma entrevista com o professor Juraci Reis, atual Diretor de Esporte da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer -SMEL. Juraci tem uma história de envolvimento com o esporte: já jogou nas divisões de base do CSA e Fluminense de Feira. Na década de 80, jogou nos dois times profissionais de futebol de Jequié, no Atlanta e ADJ. Foi funcionário técnico da UESB e desde 2002 ingressou no quadro de professor do Curso de Educação Física dessa instituição, no Campus de Jequié. Com essa bagagem adquirida, ele fala a seguir sobre as realizações, demandas e planos de ação da SMEL para 2008 e rebate algumas críticas que ele considera “piada de mal gosto”.
GICULT: O IV Fórum de Esporte e Lazer, realizado pela Secretaria Municipal de Esporte, serviu para o Governo chegar a que conclusão sobre o seu desempenho na área esportiva?
JURACI: O Fórum, na verdade não objetivou tirar conclusões imediatas, mas discutir políticas de esporte e lazer, onde foi discutido sobre construção, uso e manutenção dos espaços esportivos do município. A ênfase ao futebol na abertura deu-se em virtude da cobrança equivocada da comunidade para que a Secretaria invista no futebol profissional. O que se conclui é que há necessidade de implementar continuamente políticas públicas de esporte e lazer que atendam as necessidades sociais e não interesses de grupos específicos. A SMEL está construindo isto gradativamente e, apesar das dificuldades, já avançamos em ter uma secretaria específica para o esporte com espaços estruturados desde a área administrativa até os espaços públicos os quais serão todos restaurados mais uma vez em 2008.
GICULT: A mesa-redonda do Fórum teve dois palestrantes que falaram apenas de futebol. Por causa disso, muitos desportistas criticaram a exclusão das outras modalidades. As críticas foram procedentes? Quais as metas principais da Secretaria de Esporte para este ano?
JURACI: As críticas procedem na medida em que todas as modalidades precisam ser discutidas e atendidas. Como disse, a escolha pelo futebol foi para dirimir dúvidas e equívocos quanto às responsabilidades da SMEL sobre o futebol profissional e quanto à autonomia da Liga local.
Dentre as Metas podemos citar:
- Lançamento pelo segundo ano consecutivo do calendário esportivo;
- Continuidade na promoção dos campeonatos nos bairros da cidade;
- Torneios para todos os distritos do município;
- Suporte técnico e de material a todas as associações de bairro da cidade;
- Cursos de capacitação técnica para diversas modalidades esportivas;
- Projeto 2º tempo, abrangendo cerca de 4.000 alunos do ensino fundamental;
- Construção de 07 (sete) novas quadras poliesportivas;
- Recuperação de dez quadras poliesportivas existentes.
- Construção de 04 (quatro) vestiários para associações de bairros.
- Apoio a diversos eventos esportivos locais e regionais os quais chegaram a mais de cinqüenta em 2007;
- Convênio com as ligas para promoção do campeonato da cidade e participação no Campeonato Intermunicipal de futebol.
GICULT: Este ano, um grupo de pessoas organizou um calendário anual com programação de futebol de campo e de salão, sem a participação da Secretaria de Esporte. Por que isso aconteceu? Não foi a falta de iniciativa da Secretaria que fez com que tal fato acontecesse?
JURACI: Não! Mesmo os eventos particulares que não foram planejados previamente receberam apoio da SMEL. O problema são as parcerias fictícias nas quais organizadores do evento querem que a secretaria dê ”cama, mesa e banho” ou ao seu bel prazer.
Por exemplo: Qualquer evento no GEAB vai encontrar o espaço com energia, água, material e funcionário disponível. Uma despesa considerável, mas desprezada pelo organizador que só entende a parceria com o assistencialismo do troféu, medalhas, bola, etc, o que muitas vezes também recebem. Outro exemplo são as viagens, que normalmente custam cerca de R$2,00/Km. Logo uma viagem para Salvador ou para o sul da Bahia sai entre 1.500,00 e 2.000,00 reais, mas o organizador (parceiro?) acha que quem patrocinou foi o comerciante que ajudou com 50,00 ou 100,00 reais e a SMEL “só conseguiu o transporte”. Piada de mau gosto.
Claro que a SMEL não dá conta de 100% das solicitações, principalmente as de última hora. Precisamos planejar com antecedência para atender as exigências administrativas.
GICULT: Das 8 maiores cidades da Bahia, Jequié é a única que não tem um time profissional na 1ª Divisão do Campeonato Baiano. O que a Secretaria tem feito e vai fazer esse ano para ajudar o futebol de Jequié a superar essa longa crise?
JURACI: Cinco ações que, a meu ver, são fundamentais:
1 – Discutir o futebol nos seus vários aspectos (IV Fórum);
2 – Apoiar pedagógica e tecnicamente os trabalhos de base sem fins lucrativos e de cunho realmente social, não os que utilizam esta bandeira para fins pessoais. Temos oferecido este suporte desde 2007.
3 – Dotar o Estádio Municipal de condições para a prática do futebol e de receber o torcedor em segurança (iniciaremos a reforma dos sanitários e vestiários, pois a estrutura do gramado e bancos de reservas, árbitros e túnel de proteção já foi concluída);
4- Apoiar o futebol amador da cidade junto à Liga local e às associações de bairros (anualmente são entre oito e dez campeonatos, além dos torneios e campeonatos dos distritos todos apoiados pela SMEL, exceto o campeonato da cidade que ainda será organizado pela Liga em abril/08);
5 – Elaboração e aprovação junto ao poder legislativo da Lei de Incentivo ao Esporte, a qual está em tramitação na Câmara de Vereadores desde 2006.
No mais, futebol profissional deve ser iniciativa privada com apoio da prefeitura, e não o contrário.
Por Gidasio Silva