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Você sabe o que é rádio livre?

domingo, 20 de abril de 2008

Pra simplificar, RÁDIO LIVRE é uma rádio que não tem autorização para funcionar, mas funciona. Não tem padrinho, não é pirata e não é comercial. É obra de quem não concorda com a mídia do jeito que está e resolveu botar a mão na massa.
Mesmo com a Lei 9612/98 de Radiodifusão Comunitária, não se consegue no Brasil, dar voz às minorias, ou seriam maiorias…, enfim, só tem lugar num veículo de comunicação quem tem poder para influenciar governantes. Mais de 4400 pedidos de concessão de rádios comunitárias estão encalhados no Ministério das Comunicações.
Enquanto isso, a repressão exercida pela ANATEL, invade as rádios sem concessão, toma os equipamentos e, em muitas vezes, acompanhada de policiais, usa de violência.

A LEI É CEGA

Existe uma lei, criada em 1998, que se propõe a regulamentar as atividades de rádios comunitárias no Brasil. Apresentando antes restrições que facilidades, ela permite a existência dessas rádios, desde que com alcance de no máximo 25 watts, e só podendo ser uma rádio por comunidade. Em outras palavras essa lei dificulta, restringe, tudo o que não deveria fazer.
Ser uma Rádio livre é justamente não aceitar essas condições. O artigo 223 da Constituição assegura a existência de três eixos complementares na mídia: o estatal, o privado e o público. Mas na prática só os dois primeiros se concretizam.

O MITO DO ESPECTRO

A idéia de que o espectro é pequeno e não comporta um número ilimitado de rádios e de que um transmissor pode derrubar um avião, por causa da interferência nas freqüências nas transmissões dos aeroportos, é um mito que a grande mídia criou.
Logicamente o espectro é limitado, e é possível que interferências possam derrubar aviões, mas a freqüência usada por aeronaves é superior à freqüência usada pelas emissores de rádio. Além disso, não existe sequer um caso registrado no planeta de algum acidente relacionando rádios livres e quedas de aviões. Enfim, vamos libertar as rádios livres.

Número de transplantes aumenta, mas fila de espera também.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

De janeiro até este mês, foram realizados na Bahia 197 transplantes, cinco a menos que os 202 feitos em todo o ano passado, segundo o coordenador do Sistema Estadual de Transplante (Coset), Eraldo Moura. Apesar do aumento, o número de procedimentos ainda é baixo.

A presidente da Associação de Pacientes Transplantados da Bahia (ATX), Márcia Chaves, ressalta que o número de transplantes aumentou, mas não na mesma proporção da fila de pessoas que aguardam pela cirurgia. “No ano passado, nós tínhamos 2.900 pessoas esperando por um transplante. Hoje temos 4.000 e 50% morrem antes do transplante”.

Justamente por causa dos índices desfavoráveis, a Bahia foi escolhida pelo Ministério da Saúde para o lançamento da campanha nacional de incentivo à doação de órgãos. O evento, realizado nesta quinta-feira, no palácio Rio Branco, em Salvador, contou com a presenção do misnistro José Gomes Temporão.

A falta de atuação das comissões intra-hospitalares, assim como a falha na notificação do diagnóstico de morte encefálica são apontados como os principais fatores para o mau desempenho. Para Márcia, a negativa da família existe, mas não é principal problema, “porque a abordagem não é correta”. Essa é função das comissões, obrigatórias para hospitais com mais de 80 leitos. “Ou se toma uma providência nesse sentido, ou não vai funcionar”.

Para o coordenador da Coset, apesar dos investimentos, o número de comissões atuantes ainda é reduzido se comparado com a quantidade de hospitais que as necessitam. Segundo ele, na Bahia existem 17 comissões responsáveis pelo processo de doação dentro das unidades hospitalares, quando deveriam ser no mínimo 40.

Ainda assim, o aumento do número de transplantes deixa uma esperança. Para Moura, uma série de políticas implementadas na área, como “contratação de médicos exclusivos para atuarem na busca ativa, comissões intra-hospitalares também exclusivas e cursos para médicos”, ocasionaram esse aumento no número de doações e, conseqüentemente, de transplantes.

“É um processo lento, educacional e de envolvimento de toda a comunidade. Muitas pessoas não doam porque não conhecem o processo de doação”. Talvez por isso o índice de rejeição familiar ainda seja um dos principais problemas. Na Bahia a negativa é de 62%, no Brasil, entre 25% e 30%.

O que deve ser feito? Para Márcia, mais investimento, e não somente na questão da notificação e comissões, “que não têm pessoal suficiente”. Para ela, a saúde é um grande problema. “Eu li uma pesquisa outro dia que dizia que a negativa da família caminha em paralelo com o atendimento do Sistema Único de Saúde. Por revolta, as pessoas não doam”.

A fila oculta – Enquanto isso, uma fila de doadores vivos se esconde no estado. É o que conta a presidente da ATX, Márcia Chaves. “Tem fila para doador vivo de rim, de esposa, marido, pai que quer doar. Todo mundo nega, mas ela existe sim”. O coordenador da COSET, Eraldo Moura, afirma que “o estado não tem conhecimento dessa fila”. Segundo ele, uma reunião com a presidente da ATX já foi marcada para tratar do assunto.

A informação, no entanto, é confirmada pelo transplantado renal Aristóteles Almeida, 54. Há sete anos, ele finalmente realizou o procedimento, depois de esperar dois anos já com um doador. “Minha irmã veio do Rio para Salvador e fez todos os exames, mas na época tiveram vários problemas. O principal foi que o Ministério da Saúde determinou que o hopital deveria ter ambulatório para acompanhar o pós-transplante, mas o Hospital Português não tinha”.

Aristóteles não pôde fazer a cirurgia em Salvador. Foi para São Paulo, repetiu todos os exames, mas disseram que havia paciente em sua frente. Um ano ele viveu essa espera. Desistiu de São Paulo e foi para Rio. Em menos de um mês, já estava transplantado.

Para ele, o problema ainda existe. “É burocracia e dinheiro pouco na saúde, além de mal usado, não só na área de transplante. Falta investimento, esclarecimento”. E, se pudesse mandar um recado para o ministro da saúde, José Gomes Temporão, que esteve hoje em Salvador, diria: “invista mais na estrutura, na saúde, no ser humano, porque assim a relação custo-benefício vai ser melhor”.

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